Carne e café lideram pressão do agro por fim do tarifaço após reunião Brasil-EUA

    Após encontro entre os países, fortaleceu a esperança entre setores produtivos por redução na tarifa aplicada

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    Carne e café lideram pressão do agro por fim do tarifaço após reunião Brasil-EUA
    17deOutubrode2025ás10:38

    Após a primeira reunião diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, ocorrida na quinta-feira (16), mediada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, setores produtivos do agro brasileiro reforçaram a esperança de que possa haver, ao menos, redução na tarifa aplicada — hoje de 50% — em produtos considerados estratégicos, como café, carne e frutas.

    Em nota conjunta — o que indica sintonia entre os países — foi afirmado que as conversas comerciais “foram muito positivas” e que há o objetivo de agendar um segundo encontro, desta vez com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump à mesa.

    Segundo o chanceler Mauro Vieira, a retomada do diálogo marca um ponto de inflexão após meses de tensão. A estratégia brasileira tem sido isolar a pauta comercial das disputas políticas, para que o debate tarifário siga em nível técnico.

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    Além disso, o tema da “isenção setorial” vem ganhando força em discursos de entidades agropecuárias no Brasil. A ideia é que determinados produtos estratégicos possam ser excluídos da sobretaxa, mesmo se não houver um recuo amplo.

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    Carne e café puxam a pauta de interesse

    A  Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec ) acredita que a carne bovina é o item número um da pauta bilateral. Para “ajudar” o Brasil, os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho dos últimos 75 anos, resultado de um ciclo de baixa na pecuária.

    Já o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe) defende que as negociações precisam ser conduzidas com “senso de urgência”, já que os EUA são o maior consumidor de café do mundo. A entidade acredita que as atuais rodadas de conversa possam abrir caminho para uma revisão tarifária, em informação divulgada pelo Agro Estadão.

    Desde que o tarifaço foi implementado, a cadeia do café brasileira vem sentindo o impacto: quedas acentuadas nos embarques, incerteza entre produtores e receio de que o blend consumido pelos norte-americanos seja reformulado com grãos de outros fornecedores.

    Cenário otimista: revertendo o tarifaço

    Nesse cenário, os EUA poderiam reverter ou atenuar as sobretaxas, ao menos para produtos agrícolas sensíveis como carne e café — também como forma de esfriar pressões domésticas que cobram de Trump uma solução rápida para o impasse.

    Isso poderia ocorrer por meio de concessões bilaterais, argumentos de dependência doméstica (no caso do café) e pressão de importadores e indústrias americanas.

    Com essa reversão parcial, as exportações brasileiras poderiam retomar volumes próximos aos patamares anteriores ao golpe tarifário, com reativação de contratos suspensos e novas negociações.

    Mas o tempo é curto: o acordo precisa avançar antes que o Brasil perca espaço no mercado americano para fornecedores com taxas menores de importação.

    Cenário negativo: impasse político pode travar avanço

    A manutenção ou até o endurecimento das tarifas pode ocorrer se as negociações forem contaminadas pelo ambiente político — por exemplo, condicionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora a nota conjunta divulgada não mencione o tema.

    Interlocutores do governo americano ligados ao Departamento de Estado minimizaram o aspecto positivo da reunião e disseram que, para Marco Rubio, um dos nomes mais ideológicos do governo Trump, a questão política não foi descartada.

    Grande parte das sanções a autoridades brasileiras — como a suspensão de vistos — partiu do próprio Departamento de Estado, que mantém ligação estreita com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o empresário Paulo Figueiredo.

    Nesse cenário, o Brasil corre o risco de perder ainda mais competitividade nos EUA, com consumidores e importadores migrando para fornecedores alternativos e mais baratos, como México e Austrália.

    Ainda paira a ameaça recente da Casa Branca de ampliar sobretaxas a países com relações comerciais com a Rússia. Segundo entendimento de Trump, essas nações “ajudam” a financiar a guerra na Ucrânia — e o Brasil é um desses parceiros, principalmente na importação de petróleo e fertilizantes agrícolas.

    Para o agro brasileiro, especialmente nos setores de carne e café, a reversão parcial ou total das tarifas pode significar a diferença entre retomar negócios ou perder mercados de forma irreversível.

    Próximos passos

    Vieira também afirmou que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump devem se encontrar nos próximos meses, embora a data e o local ainda não estejam definidos.

    “Está mantido o objetivo de que os líderes se reúnam proximamente. Há interesse de ambas as partes para que isso aconteça o quanto antes”, declarou o ministro.

    Inicialmente, a expectativa era de que o encontro ocorresse durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, no fim de outubro. No entanto, segundo o chanceler, as agendas dos presidentes determinarão o momento mais adequado para a reunião.

    De acordo com o Itamaraty, Mauro Vieira e Marco Rubio devem manter contato direto nas próximas semanas para definir a agenda de reuniões técnicas. A expectativa é que, até novembro, sejam traçadas as bases para uma negociação ampla sobre tarifas e cooperação comercial.

    “O importante é que prevaleceu uma atitude construtiva, com aspectos práticos para a retomada das negociações entre os dois países”, destacou o chanceler. “Há boa química entre os governos, e o diálogo está aberto.”

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