Vale da Celulose: Mato Grosso do Sul prevê expansão de 40% na base florestal até 2028
Anúncio foi feito pelo governo do estado do Mato Grosso do Sul, que prevê base florestal de 2,5 milhões de hectares em três anos
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O Mato Grosso do Sul avança para consolidar o que vem sendo chamado de “Vale da Celulose” — região de forte concentração de plantas industriais, florestas plantadas e logística orientada para exportação.
Em anúncio recente, o governo do Estado do Mato Grosso do Sul projetou que a base florestal plantada no território deve saltar de cerca de 1,8 milhão de hectares para 2,5 milhões de hectares nos próximos três anos, um crescimento de aproximadamente 40% até 2028.
A meta foi apresentada pelo secretário Jaime Verruck, titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), durante o evento Bracell2030 (2025).
Segundo Verruck, atualmente o Estado conta com cerca de 1,8 milhão de hectares de florestas plantadas, o número exato informado foi 1.881 milhão de hectares.
“A exportação de aproximadamente 92% da produção de celulose evidencia um elevado nível de interação com o mercado global”, afirmou.
A meta é ambiciosa: alcançar 2,5 milhões de hectares em plantações até 2028, o que representa um acréscimo de 700 mil hectares.
Esse crescimento, aponta o secretário, está intimamente ligado à duplicação ou consolidação de grandes empreendimentos florestais e industriais no Estado, como a futura planta da Eldorado Brasil, por exemplo.
O Estado do Mato Grosso do Sul já vem há algum tempo se estruturando como polo da celulose. Em setembro de 2024, o governo lançou o projeto “Rota da Celulose”, com ênfase na infraestrutura viária (BR-262, BR-267, MS-040, MS-338, MS-395) para apoiar o corredor logístico da indústria.
Um levantamento de agosto de 2025 apontou que o MS estima mais de R$ 70 bilhões em investimentos em celulose até 2028.
Esses dados sugerem que o crescimento da base florestal não é isolado, mas parte de uma estratégia de desenvolvimento industrial florestal e de exportação.
Implicações econômicas e ambientais
O setor de papel e celulose já representa uma parcela importante do PIB estadual, com uma fatia de 10,7%, conforme levantamento feito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul neste ano. Esse mercado movimentou mais de R$ 15 bilhões em 2024.
A expansão da base plantada estimula a geração de empregos, valoriza cadeias de fornecimento e traz maior resiliência a secas e riscos climáticos.
No entanto, a regulamentação ambiental e a aceitação internacional de créditos de carbono para eucalipto continuam como gargalos. A não-aceitação pela ONU afeta o potencial de monetização de serviços ambientais do setor.
Assim, a meta de “2,5 milhões de hectares” inclui não apenas plantio, mas também a necessidade de garantir áreas de preservação.