Casca de café vira biscoito e dá vida nova aos Robustas Amazônicos
Antes usada principalmente como adubo, a casca agora assume papel de insumo rico em fibras e com receita sustentável
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Uma pesquisa realizada pela Embrapa Rondônia em conjunto com a UnB (Universidade de Brasília) desenvolveu uma nova - e inusitada - receita de biscoito, onde 30% da farinha tradicional foi substituída por farinha da casca de café, no caso, o Coffea canephora (Robusta Amazônico).
A novidade será degustada na COP 30, o que reforça o elo entre inovação agrícola, alimentação e desenvolvimento sustentável.
Para os pesquisadores, a casca do café, antes usada principalmente como adubo, agora assume papel de insumo rico em fibras, compostos fenólicos, antioxidantes e cafeína, o que eleva o valor nutricional e funcional do produto.
Isso graças à qualidade do café, grãos selecionados com mais de 80 pontos na avaliação da Specialty Ccoffee Association (SCA), que considera critérios, como aroma, sabor, acidez e corpo.
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O estudo, que teve início em 2023, envolveu processamentos variados das cascas naturais, lavadas e por fermentação anaeróbica entre 4 e 20 dias, o que permitiu mudanças sensoriais e químicas da farinha. A linha de pesquisa foi coordenada pela engenheira de alimentos e professora da UnB, Lívia de Oliveira
O pedido de patente já foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), no dia 4 de setembro de 2025.

Economia de Valor
Essa inovação impacta positivamente os cafés Robustas Amazônicos, cultivados por mais de 17 mil famílias em Rondônia, incluindo agricultores familiares, indígenas e comunidades tradicionais.
“Além da qualidade, as cascas dos cafés Robustas Amazônicos carregam características diferenciadas de sustentabilidade por serem cultivadas na Amazônia por povos indígenas e comunidades tradicionais”, explicou o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves.
O biscoito também está sendo apresentado na Semana Internacional do Café (SIC), que ocorre na Expominas, Belo Horizonte, até o dia 7 de novembro.

E agora? O que vem pela frente
Os próximos passos da pesquisa incluem escalonamento da produção da farinha de casca, testes sensoriais em larga escala, definição de mercado-alvo e avaliações de viabilidade econômica para uso industrial.
Também será importante avaliar como essa inovação pode melhorar a renda das famílias produtora na Amazônia e gerar novas cadeias de valor.
A partir de 2026, as instituições devem abrir o leque e investir também em estudos de desenvolvimento de bebidas fermentadas e instantâneas à base da casca de café, incluindo kombuchas e infusões aromatizadas.
Também no radar dos pesquisadores, estudos de formulações cosméticas com extratos de casca para o tratamento de alopecia e uso dermocosmético.