Nestlé e Embrapa firmam parceria para acelerar agricultura regenerativa no Brasil

    Acordo prevê projetos voltados à redução de emissões na produção de leite e cacau; parceria reforça papel do Brasil na transição para modelos produtivos de baixo carbono

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    Nestlé e Embrapa firmam parceria para acelerar agricultura regenerativa no Brasil
    11deNovembrode2025ás10:40

    Logo no primeiro dia da COP30, realizada em Belém (PA), a Nestlé Brasil e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) firmaram um acordo de cooperação para impulsionar pesquisas e tecnologias voltadas à agricultura e à pecuária sustentáveis.

    De início, os dois primeiros projetos contemplados têm o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na produção de leite e cacau.

    A iniciativa é considerada estratégica para que a multinacional avance em sua meta de garantir que 50% de suas principais matérias-primas sejam provenientes de práticas regenerativas até 2030. Já a neutralidade de carbono está prevista para 2050.

    O Brasil, um dos maiores fornecedores globais de ingredientes da Nestlé, foi escolhido como local do anúncio por concentrar parte das cadeias produtivas mais relevantes da companhia, como as de leite, cacau e café.

    “Este acordo reafirma nossa convicção de que a ciência, quando aliada à prática, tem um papel essencial na construção de sistemas alimentares mais saudáveis, resilientes e regenerativos”, afirmou Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil.

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    “A Embrapa é a parceira ideal para essa nova fase, na qual o campo brasileiro assume papel de liderança na transição para modelos produtivos de baixo carbono.”

    Primeiros projetos: leite e cacau

    Os dois primeiros projetos definidos têm foco claro na redução de emissões de gases de efeito estufa.

    O primeiro vai analisar o perfil de emissão de vacas em lactação submetidas a diferentes dietas, uma linha de pesquisa que poderá orientar práticas alimentares mais eficientes e sustentáveis na pecuária leiteira.

    O segundo projeto mira o desenvolvimento de sistemas agroflorestais mais produtivos para o cacau, buscando aliar ganhos de produtividade à recuperação ambiental. O Brasil já foi o maior produtor de cacau do mundo e hoje ocupa a sexta colocação.

    A Embrapa destaca que o plantio sombreado em sistemas agroflorestais, típico da Amazônia, é o modelo recomendado para conciliar produção e conservação na região.

    “A união entre o setor público e o privado mostra que é possível conciliar produtividade, competitividade e sustentabilidade”, afirmou Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

    “Essas parcerias são essenciais para transformar o conhecimento científico em soluções concretas e escaláveis no campo.”

    Conexão global

    O acordo anunciado na COP30 tem o aval do Nestlé Institute of Agricultural Sciences (NIAS), centro global de pesquisa criado pela marca em 2023, na Suíça, para acelerar estudos em agricultura regenerativa, biodiversidade e adaptação climática.

    Pesquisadores do NIAS visitaram, em 2025, diversas unidades da Embrapa no Brasil, incluindo a Embrapa Amazônia Oriental, para traçar metodologias e validar tecnologias em condições tropicais.

    Objetivos

    A expectativa é que os resultados das pesquisas apoiem produtores de leite e cacau na adoção de sistemas produtivos de menor impacto ambiental, com ganhos de eficiência, solo mais fértil e maior resiliência climática.

    O acordo ainda abre caminho para novos projetos conjuntos em biotecnologia, manejo de carbono no solo e economia circular.

    Cooperação de longa data

    A relação entre Nestlé e Embrapa soma quase 30 anos de parceria. Em 2006, as instituições criaram o Programa de Boas Práticas em Fazendas de Leite, que se tornou referência nacional e ajudou a embasar duas instruções normativas sobre qualidade e manejo no setor.

    Nos últimos anos, a cooperação passou a priorizar o leite de baixo carbono e práticas de agricultura regenerativa, alinhadas à agenda de sustentabilidade da Nestlé.

    Na cadeia do café, a companhia também mantém colaboração com a Fundação Procafé, integrante do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa, uma parceria que já resultou no desenvolvimento e teste de novas variedades genéticas, como a Star 4, adaptada ao clima tropical.

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