O protagonismo feminino no campo ganha força, mas ainda enfrenta invisibilidade
A afirmação é da líder das Semeadoras do Agro, Juliana Farah, ao destacar a importância da capacitação, da união feminina e das políticas públicas para ampliar a presença das mulheres no agro

O avanço das mulheres no agronegócio é cada vez mais visível, mas ainda marcado por uma sensação de invisibilidade.
A avaliação é de Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), produtora rural e liderança em diferentes entidades voltadas ao empreendedorismo e à representação feminina.
Ela afirma que a mulher sempre esteve presente no campo, mas ainda não tem plena consciência da força que carrega.
“A mulher sempre teve no agro e ela tem um papel fundamental, mas nem ela sabe do poder que ela tem”, disse ela nesta terça-feira, durante o 6º Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas (Enmcoop), em Itupeva, interior de São Paulo.
As Semeadoras do Agro, movimento que atua há quatro anos no estado de São Paulo, encerram 2025 com um volume expressivo de ações nos sindicatos rurais: mais de 150 eventos, além de mais de 120 encontros de saúde no programa Semear e Cuidar.
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As iniciativas incluem mamografias, exames preventivos de câncer de mama e colo do útero e, recentemente, o lançamento da campanha de prevenção ao câncer de pele.
Para Juliana, essas ações reforçam autoestima, empreendedorismo e capacitação — pilares que, segundo ela, fazem diferença na vida das mulheres. "Isso faz a diferença na vida delas", explica ao Agrofy News.

Barreiras
Apesar do avanço, Juliana aponta que muitas mulheres do campo ainda enfrentam barreiras simples, mas determinantes: dificuldade de se capacitar, ausência de apoio e, em alguns casos, resistência dentro da própria família.
Ela ressalta que o crescimento do protagonismo feminino nas propriedades rurais acontece porque, em algum momento, essas produtoras receberam ajuda para dar os primeiros passos.
“Com certeza, há algum tempo atrás, ela encontrou alguém que deu a mão para ela, para ela se capacitar, para ela ser ouvida, para ela poder seguir em frente.”
Em seus discursos, Juliana defende a necessidade de ampliar a presença feminina nas cooperativas e no associativismo. Ela afirma que a mulher traz inovação, comunicação e capacidade de gestão, e que não busca substituir o homem dentro do setor.
“Nós não queremos estar no lugar dos homens. Queremos estar ao lado, somando forças”, afirma.
Ao abordar a questão da representatividade, Juliana recorre a números que ilustram o descompasso entre presença e liderança. Cerca de 51,5% da população brasileira é formada por mulheres, que também representam 52% do eleitorado, segundo ela.
Ainda assim, afirma, elas seguem sub-representadas em cargos de chefia e nos espaços de decisão. No agro, ela cita que 34% das propriedades são geridas por mulheres, mas apenas 19% estão formalmente em seus nomes. No empreendedorismo, os números também são distantes: do total de mulheres empreendedoras, apenas 34% estão registradas como tal, e, dentro desse grupo, somente 6% pertencem ao universo do agro, muitas ainda na invisibilidade.
Políticas públicas
Juliana relaciona esse cenário à necessidade de políticas públicas e de apoio estrutural para ampliar autonomia financeira e reduzir situações de violência e dependência emocional, citando episódios recentes que sensibilizaram o país. Para ela, nenhuma transformação será imediata, mas é possível avançar “de uma sementinha de cada vez”.
Ela ressalta ainda que, globalmente, 40% da mão de obra na agricultura está nas mãos das mulheres, mas a chegada a cargos de liderança continua rara. No Brasil, afirma, o desafio não é menor.
No encerramento, Juliana deixa um recado direto às mulheres do campo, repetindo a frase com que concluiu sua palestra.
“Tenha fé na mulher que você nasceu para ser, que somente assim a gente consegue chegar lá. A gente precisa acreditar que a gente pode. É a vez da mulher no agro.”
