Em uma única operação, navio embarca 77 mil toneladas e estabelece recorde em Paranaguá

    MV Minoan Pioneer estabeleceu o novo marco de movimentação no Corredor de Exportação Leste

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    Milho foi a commodity que mais cresceu em produtividade nos portos paranaenses entre janeiro e novembro (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

    Milho foi a commodity que mais cresceu em produtividade nos portos paranaenses entre janeiro e novembro (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

    05deDezembrode2025ás11:26

    O Porto de Paranaguá abriu dezembro com uma cena incomum: um único navio, o MV Minoan Pioneer, deixando o berço de atracação carregado com 77 mil toneladas de milho, o maior volume já embarcado em uma só operação no Corredor de Exportação Leste.

    O feito não é obra do acaso. Isto porque ele marca a primeira grande demonstração do impacto do novo calado do porto, que começa a redesenhar os limites operacionais e a produtividade do terminal paranaense.

    O aumento do calado no Porto de Paranaguá é um dos principais responsáveis pelo recorde registrado na primeira semana do mês.

    O calado é a distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação, a quilha. Quanto maior essa medida, maior a capacidade de carregamento.

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    A disponibilidade de um calado maior favorece a produtividade geral do porto, que neste ano deverá bater novamente seu próprio recorde de embarque e desembarque de mercadorias.

    “Nosso objetivo é receber navios cada vez maiores, que possam embarcar mais mercadorias, mantendo a excelência no atendimento. Este recorde é prova de que estamos no caminho certo”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

    Subiu

    Em setembro de 2025, o calado operacional dos berços destinados a granéis sólidos, incluindo milho e soja, subiu de 13,1 m para 13,3 m. Com esse aumento de 20 centímetros, cada embarcação pode transportar até 1,5 mil toneladas a mais. 

    O milho foi a commodity que mais cresceu em produtividade nos portos paranaenses entre janeiro e novembro: 4.571.970 toneladas movimentadas, um avanço de 351% em relação ao mesmo período de 2024. Entre os fatores que impulsionaram o crescimento estão a safra recorde e a maior demanda internacional.

    Contraste nacional

    O desempenho de Paranaguá contrasta com o cenário nacional. Embora o Brasil deva colher mais de 140 milhões de toneladas de milho em 2025, grande parte da produção foi absorvida internamente, principalmente pela indústria de etanol.

    Cerca de 40 milhões de toneladas estão sendo destinadas à exportação, a maior parte embarcada em Paranaguá e destinada a países do Oriente Médio e da Ásia.

    “A possibilidade de navios mais carregados, aliada à nossa eficiência operacional, consolida o Porto de Paranaguá como ponto estratégico para exportação de grãos, contribuindo para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional”, destacou o diretor de Operações Portuárias, Gabriel Vieira.

    O resultado alcançado pelo Minoan Pioneer, favorecido pelo novo calado, é apenas uma prévia do que está por vir com a implementação da concessão do Canal de Acesso.

    Com o leilão realizado em outubro na B3, o Consórcio Canal da Galheta Dragagem — formado por FTS Participações Societárias S.A., Deme Concessions NV e Deme Dredging NV — deverá investir R$ 1,2 bilhão nos cinco primeiros anos da concessão.

    Entre as obrigações está a ampliação e o aprofundamento do canal, permitindo elevar o calado para 15,5 metros. Esse aumento de mais de dois metros representará espaço para 14 mil toneladas adicionais de granéis sólidos vegetais ou mil contêineres por navio. A concessionária também deverá realizar a manutenção dos 34,5 km do canal.

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