Após Venezuela, Trump ameaça Colômbia e ONU convoca reunião de emergência

    Para o presidente norte americano, seria uma “boa ideia” a invasão militar no país governado por Gustavo Petro

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    (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

    (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

    05deJaneirode2026ás09:45

    Após a operação militar contra a Venezuela, que capturou o ditador Nicolas Maduro e sua mulher Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora mencionou a possibilidade de ações militares adicionais contra a Colômbia, caso certos objetivos estratégicos não sejam alcançados, segundo ele.

    "A Colômbia é governada por um homem doente, que gosta de produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo", disse o republicano a repórteres a bordo do Air Force One, sobre o presidente colombiano Gustavo Petro.

    A declaração do presidente norte americano acendeu mais alertas na região, que ainda absorvia os impactos da incursão militar americana em solo venezuelano, destituindo Maduro do poder após 12 anos e deixando pelo menos 80 mortos, segundo o jornal New York Times.

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    Autoridades colombianas, especialmente o presidente Gustavo Petro, reagiram com veemência, defendendo a soberania nacional e rejeitando qualquer ato que configure “violação de território ou interferência militar”.

    Petro, que classificou a ação contra Maduro de “sequestro”, também apoiou pedidos para que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) abordem a crise internacionalmente.

    Reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU

    Preocupada com a escalada e os riscos à paz e à segurança na América, a  ONU convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir as implicações e desdobramentos (ainda não claros) da intervenção dos EUA, sob pedido da Venezuela e com o apoio de potências como China, Rússia e Irã. 

    A sessão, marcada para esta segunda-feira (05), tem como pauta principal “Ameaças à paz e à segurança internacionais” e incluirá depoimentos de representantes civis e diplomáticos de diversos países, incluindo membros latino-americanos.

    Na véspera da reunião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a ação militar norte-americana representa um “precedente perigoso” e enfatizou a importância de respeitar a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, pedindo que todas as partes evitem novas hostilidades.

    O ataque, autorizado por Washington sem o aval do Congresso Americano, intensificou tensões geopolíticas, sobretudo acerca do petróleo, já que a Venezuela concentra a maior reserva petrolífera do mundo.

    Trump já deixou claro que as petroleiras norte americanas estarão “diretamente envolvidas” na reconstrução e modernização da infraestrutura venezuelana para ampliação da extração do petróleo. 

    O Petróleo em números

    A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris de petróleo bruto.

    Essa cifra representa 17% de todas as reservas conhecidas globalmente e supera as reservas da Arábia Saudita e do Irã.

    A maior parte dessas reservas está localizada na Faixa Petrolífera do Orinoco, local de extração complexa e, logo, mais cara. Em termos de valor de mercado, essas reservas podem equivaler a trilhões de dólares.

    Em 2025, a produção venezuelana se estabilizou entre 0,9 milhão a 1,1 milhão de barris por dia, refletindo uma recuperação parcial após quedas acentuadas. No auge, o país chegou a extrair 3,7 milhões de barris por dia. 

    Em termos absolutos, a produção atual é significativamente menor do que a capacidade histórica, representando menos de 1% de toda a produção global, apesar de deter 17% das reservas.  

    Nova liderança em Caracas muda o tom

    Com o regime madurista acéfalo, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi reconhecida pelas Forças Armadas de Venezuela como presidente interina, sob respaldo do Supremo Tribunal local, que declarou a ausência temporária de Maduro e a nomeou para comandar o país enquanto se organiza uma transição política.

    Rodríguez inicialmente subiu o tom e criticou duramente os EUA, acusando-os de violar a soberania venezuelana. Um dia depois, modulou o discurso, sinalizando disposição a negociar com Trump, o que levanta suspeitas em observadores internacionais de que alas do regime já vinham discutindo os termos com o governo norte americano antes mesmo da operação ser deflagrada.  

    A Venezuela terá de enfrentar um vácuo de poder político inesperado, com resistência interna de bases chavistas e maduristas, divisões regionais armadas e incertezas sobre o futuro institucional, ingredientes que podem desaguar numa guerra civil.

    Enquanto isso, milhões de venezuelanos assistem a uma situação sem precedentes, com cenários abertos sobre quem governará o país e como isso afetará a estabilidade econômica, migratória e de segurança da região.

    Ação militar e Maduro preso

    No fim de semana, forças norte-americanas conduziram ataques aéreos contra instalações em Caracas, em uma ação que incluiu mais de 150 aeronaves e unidades de operações especiais dos EUA.

    A operação culminou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, agora custodiados no estado de Nova York, onde enfrentarão acusações federais, incluindo tráfico de drogas e conspiração.

    O governo dos EUA argumenta que Maduro não é reconhecido como presidente legítimo desde a controvérsia em torno da eleição de 2024, e que, ao menos em tese, sua remoção tinha como objetivo combater narcoterrorismo e corrupção.

    A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

    Trump disse ainda ao canal Fox News que acompanhou a operação de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, e que "foi como assistir a um programa de TV”.

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