Ex-embaixador explica por que Trump se afastou de Bolsonaro

    Ex-presidente segue internado em Brasília e permanece em observação médica

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    Ex-embaixador explica por que Trump se afastou de Bolsonaro
    30deDezembrode2025ás08:13

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de se importar com o ex-presidente Jair Bolsonaro após passar a vê-lo como um “perdedor”. A avaliação é do ex-embaixador americano John Feeley, em entrevista à BBC News Brasil.

    Segundo Feeley, Trump não acompanha de perto a política brasileira e tampouco mantém interesse pessoal no ex-presidente.

     “Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil”, afirmou.

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    Na avaliação do diplomata, a mudança ocorreu quando Bolsonaro deixou de ser uma referência política no país.

    “E assim que Bolsonaro deixou de ser uma referência na política brasileira e o Estado de Direito e a Justiça democrática prevaleceram no Brasil, Donald Trump simplesmente o descartou.”

    Feeley também afirma que Trump não tolera derrotas políticas.

    “Assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”, disse.

    Para o ex-embaixador, o recuo dos Estados Unidos em medidas contra o Brasil e autoridades do Judiciário brasileiro está mais ligado ao comportamento errático de Trump do que a qualquer avanço diplomático do governo Lula.

    Ele classificou o presidente americano como imprevisível e “narcisista”, o que tornaria negociações instáveis. “Acho que Lula, francamente, teve sorte”, afirmou. 

    Estado de saúde de Jair Bolsonaro

    O ex-presidente Jair Bolsonaro permanecerá em observação por pelo menos 48 horas após ser submetido a uma nova cirurgia nesta segunda-feira (29), em Brasília.

    A intervenção buscou tratar crises de soluços persistentes por meio do bloqueio do nervo frênico esquerdo, responsável pelo controle do diafragma. No sábado (27), o mesmo procedimento havia sido realizado do lado direito.

    Segundo os médicos, o quadro clínico é estável. “A gente precisa de pelo menos de 48 horas para avaliação de resultados, complicações, etc. Esse tempo será aguardado, independente que qualquer coisa”, afirmou o cirurgião Cláudio Birolini.

    “Ainda está prevista a realização de uma nova endoscopia digestiva alta, possivelmente amanhã [30] ou na quarta-feira [31]. A gente está trabalhando com a hipótese de que, se não houver novas intercorrências, ele fique aqui até quinta-feira, dia 1º [de janeiro]”, acrescentou. 

    De acordo com o cardiologista Brasil Caiado, os episódios de “soluços persistentes ou intratáveis” são quadros raros, associados a doenças do trato gastrointestinal e problemas abdominais, condições com as quais Bolsonaro convive. O ex-presidente também apresentou crise de pressão alta nos últimos dias, já controlada. 

    Bolsonaro está internado no Hospital DF Star desde 24 de dezembro. No dia de Natal, passou por cirurgia de hérnia inguinal.

    Ele foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a deixar a Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos e três meses pela condenação relacionada à trama golpista.

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