Presidente da Colômbia diz que pode pegar em armas após ameaça de Trump

    Petro reage a declarações do presidente dos EUA, afirma ter ordenado defesa da soberania e reforça que não atirará contra o povo

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    (Foto: Alexandre Durao/G20)

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    06deJaneirode2026ás09:38

    O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (5) que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país e disse ter determinado à força pública colombiana que reaja contra qualquer invasor.

    As declarações foram feitas em publicações na rede social X.

    As manifestações de Petro ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar, no domingo (4), a possibilidade de uma operação militar contra a Colômbia.

    “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, escreveu Petro. O presidente colombiano integrou o grupo guerrilheiro M19 nos anos 1980. 

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    Ordem à força pública

    Petro afirmou ainda que comandantes das forças de segurança que não defendam a soberania nacional deverão deixar seus cargos. Segundo ele, a orientação às tropas é clara.

    “Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição”, afirmou.

    “O mandato constitucional da força pública é defender a soberania popular.”

    O presidente acrescentou que a ordem é não atirar contra o povo, mas sim contra um eventual invasor.

    Acusações rebatidas

    Nas publicações, Petro também listou ações do governo no combate à produção e ao tráfico de drogas e rejeitou acusações feitas por Trump.

    “Não sou ilegítimo, nem narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”, escreveu.

    Ele afirmou ainda confiar na população colombiana e disse ter pedido que o povo defenda o presidente contra qualquer ato violento ilegítimo.

    Ataques verbais de Trump 

    No domingo, Trump afirmou que a Colômbia estaria “doente” e acusou, sem apresentar provas, Petro de favorecer a produção e o tráfico de cocaína para os Estados Unidos.

    As declarações ocorreram após uma operação dos EUA que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no sábado (3), e seu envio a Nova York para julgamento. 

    Dinamarca alerta para risco de ruptura da Otan

    Em outro desdobramento da escalada retórica de Trump, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta segunda-feira (5) que um ataque dos Estados Unidos a um país da Otan significaria o fim da aliança militar.

    “Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo acaba. Isso inclui a nossa Otan e a segurança garantida desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse Frederiksen à emissora TV2. 

    A declaração faz referência às ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca e considerado estratégico no Ártico.

    “Trump deve ser levado a sério quando diz que quer a Groenlândia. Não aceitaremos uma situação em que nós e a Groenlândia sejamos ameaçados dessa forma”, afirmou a premiê.

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