Alta das CPR sustenta contratações, mas crédito rural recua na liberação e nos investimentos
Mesmo com avanço das CPRs, recursos efetivamente liberados caem, investimentos despencam e número de contratos encolhe no Plano Safra 2025/2026
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O crédito rural empresarial registrou crescimento no volume de recursos contratados entre julho e dezembro de 2025, mas apresentou retração na liberação efetiva de recursos e forte queda nas linhas de investimento, segundo o Boletim de Desempenho do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
No período, o total contratado somou R$ 284,08 bilhões, avanço de 3% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
Já os recursos efetivamente concedidos — aqueles que de fato chegam à conta do produtor — totalizaram R$ 270,41 bilhões, o que representa uma queda de 2% na comparação anual.
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O principal vetor de crescimento no semestre foi a expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que alcançaram R$ 121,98 bilhões, alta de 30%.
Com isso, a participação desse instrumento no total do crédito concedido subiu de 34% para 45%, reforçando seu papel como alternativa ao crédito bancário tradicional.
Investimentos encolhem e produtores priorizam custeio
Apesar do crescimento nominal das contratações, o boletim aponta um ambiente mais restritivo para o crédito, sobretudo nas linhas voltadas a investimentos.
Os recursos concedidos para essa finalidade recuaram 41%, somando R$ 24,09 bilhões. Nas contratações, a queda foi de 20%, para R$ 32,63 bilhões.
Segundo a análise do próprio documento, esse movimento reflete tanto a postura mais cautelosa das instituições financeiras quanto a mudança de comportamento dos produtores, que passaram a priorizar o custeio da safra em um cenário de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano.
Custeio recua, apesar do avanço da CPR
Mesmo sendo a principal demanda do setor, o custeio também apresentou retração. As contratações caíram 15%, para R$ 92,47 bilhões. Nos valores concedidos, a queda foi de 18%, com R$ 88,88 bilhões.
O avanço das CPR, no entanto, compensou parcialmente essa retração.
Considerando-se conjuntamente o custeio tradicional e as CPR, o volume de recursos destinados ao financiamento da safra chegou a R$ 214,45 bilhões, alta de 6% em relação ao ciclo anterior.
Industrialização cresce, comercialização perde fôlego
Entre as finalidades, a principal alta fora das CPR foi observada na industrialização, cujas contratações avançaram 43%, para R$ 17,63 bilhões. Nos valores concedidos, a expansão foi de 41%, alcançando R$ 17,37 bilhões.
Na direção oposta, a comercialização registrou retração de 3% nas contratações e de 9% nos valores concedidos, que somaram R$ 18,09 bilhões.
Número de contratos cai 25%
O enfraquecimento do crédito também aparece no número de operações. O total de contratos firmados caiu 25%, de 407.163 para 304.476.
No Pronamp, a redução foi de 21%. Entre os demais produtores, o recuo chegou a 39%. As operações via CPR também diminuíram, ainda que em menor intensidade: queda de 11%.
Recuo é generalizado nas regiões
Todas as regiões do país registraram queda tanto no número de contratos quanto nos valores movimentados.
O Nordeste foi a região mais afetada, com retração de 41% nas operações e de 34% nos volumes financeiros.
O Sul manteve a liderança em número de contratos, enquanto o Centro-Oeste concentrou os maiores valores, apesar das quedas observadas.

Execução de recursos segue baixa
Outro ponto destacado pelo boletim é o baixo nível de execução dos recursos equalizáveis. Do total de R$ 113,4 bilhões programados, apenas R$ 41,08 bilhões haviam sido concedidos até outubro de 2025, o que significa que 64% do montante ainda não havia sido utilizado.
A maior ociosidade está nas linhas de investimento, com 75% do volume ainda sem uso. No custeio, o saldo não utilizado é de 55%, e, na comercialização, de 70%.
R$ 17 bilhões ainda aguardam liberação
O documento também aponta que R$ 17,1 bilhões em crédito já contratado ainda não haviam sido concedidos no período analisado. O maior volume está concentrado em operações de financiamento sem vínculo, com R$ 8,36 bilhões.
Na sequência aparecem Pronamp (R$ 1,41 bilhão), PCA (R$ 1,17 bilhão), Funcafé (R$ 621 milhões) e Moderfrota (R$ 602 milhões).
O retrato do segundo semestre de 2025 é de um crédito rural mais seletivo, mais dependente de instrumentos de mercado e menos voltado à expansão produtiva. Enquanto as CPR ganham espaço como principal fonte de financiamento da safra, as linhas tradicionais de investimento enfrentam retração, em um ambiente marcado por juros elevados e maior cautela das instituições financeiras.