Paraná pede ao governo federal R$ 670 bilhões para Plano Safra 2026/2027
Proposta elaborada por entidades do agro paranaense prevê ampliação do crédito rural, redução das taxas de juros e medidas de apoio a produtores afetados por eventos climáticos
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O setor agropecuário do Paraná encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma proposta para que o governo federal disponibilize R$ 670 bilhões no Plano Safra 2026/2027.
O montante é 13% superior ao liberado pelo governo para a safra 2025/2026, quando foram destinados R$ 516,2 bilhões ao crédito rural.
Pela proposta, R$ 486,3 bilhões seriam destinados ao crédito de custeio e comercialização, enquanto R$ 183,7 bilhões seriam direcionados a investimentos no setor agropecuário.
O documento também sugere redução de três pontos percentuais nas taxas de juros em relação às praticadas no último ciclo.
Do total reivindicado, R$ 95 bilhões seriam destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 85 bilhões ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 490 bilhões aos demais produtores.

Além do Mapa, o documento também será encaminhado ao líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, e à presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella.
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A proposta foi construída de forma conjunta por entidades do setor agropecuário paranaense, com base em levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, afirmou que o setor produtivo trabalha de forma integrada no estado para fortalecer a agropecuária paranaense.
“Neste período, foi possível estreitar o relacionamento com todas as entidades que representam a agricultura do Paraná”, declarou.
O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, destacou que a elaboração conjunta de propostas para o Plano Safra já se tornou tradição entre as entidades do estado.
“Já é tradição, todos os anos nos reunimos e elaboramos uma proposta conjunta para o Plano Safra”, explicou. Ele ressaltou que as margens da atividade agrícola estão cada vez mais apertadas e que um plano robusto é essencial para garantir desenvolvimento ao setor e retorno financeiro aos produtores.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o volume de recursos e as condições de financiamento são determinantes para manter a competitividade do agro brasileiro.
“O Plano Safra é determinante para garantir previsibilidade e competitividade ao setor. Estamos falando de um cenário desafiador para a safra 2026/27, com custos de produção pressionados. Por isso, defendemos um volume adequado de recursos, taxas compatíveis com a realidade do produtor e o fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco”, afirmou.
Redução das taxas de juros
A proposta das entidades paranaenses também prevê redução das taxas de juros do crédito rural. A recomendação considera a expectativa para a taxa Selic, que deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, com recuo para aproximadamente 10% em 2027.
No caso do Pronaf, cuja taxa na safra passada variou entre 0,5% e 8% ao ano, a reivindicação é que fique entre 0,5% e 5%.
Para o Pronamp, a proposta prevê juros entre 7% e 9,5% ao ano, abaixo da taxa de 10% praticada no ciclo anterior.
Já para demais produtores e cooperativas, a sugestão é que os juros variem entre 7,5% e 10% ao ano, frente aos 14% aplicados na safra passada.
O documento também apresenta sugestões específicas para linhas de investimento, com definição de valores, limites e taxas para programas como Moderfrota, Proirriga, Renovagro e Programa de Construção de Armazéns (PCA).
Além disso, propõe definição de recursos e limites para o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
Renegociação de dívidas após eventos climáticos
A proposta inclui ainda medidas voltadas ao apoio a produtores impactados por eventos climáticos adversos, com foco na renegociação de dívidas e recomposição do capital de giro.
“É fundamental que o governo implemente mecanismos de apoio aos produtores impactados por adversidades climáticas, com foco na readequação das dívidas e recomposição do capital de giro”, sinaliza o documento.
Entre as medidas sugeridas estão:
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prorrogação por 12 meses dos financiamentos de custeio, mantendo integralmente as condições originais;
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renegociação das operações de investimento afetadas por perdas climáticas, com vencimento postergado para até 12 meses após o prazo originalmente previsto;
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criação de uma linha emergencial de recomposição de capital de giro para produtores atingidos por eventos climáticos, vinculada ao crédito rural oficial e com condições favorecidas.
O documento também reúne propostas para aprimorar os mecanismos de gestão de risco, com recomendações voltadas ao seguro rural e ao Proagro, além de medidas destinadas ao fortalecimento da agricultura familiar, reconhecida pelas entidades como estratégica para a segurança alimentar do país.