CPR dispara 39% e muda perfil do crédito rural no Brasil
Boletim do Ministério da Agricultura mostra crescimento das emissões do instrumento financeiro e retração nas operações tradicionais de investimento e custeio
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O crédito rural empresarial manteve crescimento nos primeiros oito meses do Plano Safra 2025/2026, mas os dados mais recentes indicam uma mudança no perfil do financiamento do agronegócio brasileiro. Instrumentos privados, como a Cédula de Produto Rural (CPR), ganharam força e passaram a ter papel central na sustentação do crédito ao setor.
Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o volume total de recursos contratados somou R$ 354,4 bilhões, avanço de 7% em relação aos R$ 330,8 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.
Os recursos efetivamente concedidos — aqueles que já tiveram liberação na conta do produtor — chegaram a R$ 342,9 bilhões, crescimento de 4%.
Os dados constam no Boletim de Crédito Rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborado com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.
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Segundo o levantamento, o resultado positivo foi impulsionado principalmente pela expansão das emissões de CPR e pelo avanço das operações voltadas à industrialização, que compensaram as retrações observadas nas linhas tradicionais de custeio, investimento e comercialização.
CPR e industrialização puxam crescimento
O principal destaque do período foi o desempenho das Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas por produtores em favor de instituições financeiras. As contratações por meio desse instrumento somaram R$ 163,4 bilhões, alta de 39% na comparação com a safra 2024/2025.
Grande parte desses recursos é utilizada para financiar o custeio da produção. Ao somar o volume captado via CPR com as linhas tradicionais de custeio, o montante total destinado ao financiamento da safra chega a R$ 269,8 bilhões, valor 12% superior ao registrado no ciclo anterior.
Outro segmento que apresentou expansão significativa foi o de industrialização. As contratações nessa finalidade cresceram 56%, atingindo R$ 22,2 bilhões, o maior avanço entre todas as modalidades de crédito.