Apex e Congresso articulam missão à Europa para destravar acordo Mercosul-UE

    Viagem deve ocorrer até março e mira pressão política no Parlamento Europeu após novo entrave jurídico ao tratado, que já virou novela

    Por |
    Apex e Congresso articulam missão à Europa para destravar acordo Mercosul-UE
    23deJaneirode2026ás10:14

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, articulam uma missão oficial à Europa até março com o objetivo de ampliar a pressão política pela ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

    A iniciativa foi confirmada pelo presidente da Apex, Jorge Viana, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (22).

    Segundo Viana, Alcolumbre indicou que a aprovação do acordo será a principal agenda do Congresso na retomada dos trabalhos após o recesso parlamentar.

    >> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    >> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET

    A estratégia envolve acelerar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul para, em seguida, concentrar esforços diretamente junto aos europeus.

    A proposta inclui uma visita de parlamentares do bloco sul-americano ao Parlamento Europeu, com articulação política de alto nível. “Vamos aprovar tudo pelo lado do Mercosul e, juntos, organizar uma missão ao Parlamento Europeu. É um diálogo de presidente de parlamento para presidente de parlamento, no nível político adequado”, afirmou Viana.

    Combate a estereótipos

    Paralelamente, a Apex prepara uma ofensiva de comunicação para enfrentar resistências ao acordo e atualizar a percepção sobre o Brasil entre eurodeputados e consumidores, com foco no combate a estereótipos.

    Dados da Apex mostram que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações brasileiras, com US$ 49,8 bilhões em 2025, atrás apenas da China.

    O agronegócio responde por cerca de 23% do comércio bilateral — percentual inferior à percepção de que o acordo seria predominantemente agrícola.

    De acordo com Viana, parte da oposição ao acordo ainda se apoia em uma imagem defasada do Brasil, especialmente no que diz respeito ao agronegócio e às agendas ambiental e social.

    “A imagem do Brasil mudou e precisa ser trabalhada lá fora. Argumentos usados há quatro ou cinco anos não cabem mais no cenário atual”, disse.

    Estudo aponta ampliação de exportações

    A Apex também divulgou um estudo indicando que o Brasil pode ampliar exportações em 543 produtos com a desgravação — retirada imediata de tarifas — em um mercado que movimenta US$ 43,9 bilhões por ano em importações da União Europeia.

    Na divisão regional, a Europa Ocidental concentra o maior número de oportunidades, com 266 produtos. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras para a região somaram, em média, US$ 831 milhões por ano.

    A Europa Meridional aparece com 123 itens, seguida pela Europa Oriental, com 101 produtos. Já a Europa Setentrional reúne 53 tipos de mercadorias.

    Revisão jurídica cria novo obstáculo

    A movimentação ocorre após o Parlamento Europeu aprovar, por margem apertada, um pedido de revisão jurídica adicional do acordo, assinado no último sábado (17), após 26 anos de negociações.

    Embora não inviabilize o tratado, a decisão cria um novo obstáculo político e tende a prolongar sua tramitação no bloco por até dois anos.

    A resolução atendeu à pressão de parlamentares que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas e novos mecanismos de verificação — exigências que, segundo o governo brasileiro, podem comprometer o texto negociado.

    Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo e à atuação de lobbies agrícolas europeus contrários à entrada de produtos brasileiros.

    Temas nesta notícia