Planta invasora de difícil controle é detectada em SP e acende alerta no Paraná

    Confirmação do Ministério da Agricultura amplia monitoramento interestadual e reforça medidas fitossanitárias para conter avanço da espécie

    Planta invasora de difícil controle é detectada em SP e acende alerta no Paraná
    11deFevereirode2026ás09:49

    Uma das plantas invasoras mais preocupantes para agricultura brasileira voltou ao radar das autoridades fitossanitárias.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a presença do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-palmeri ou caruru-gigante, na regional de São José do Rio Preto, em São Paulo.

    A detecção amplia o mapa de ocorrência da praga no país e acende o alerta em estados vizinhos, como o Paraná, que já reforçou barreiras para evitar a entrada da espécie.

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    Foco confirmado em São Paulo

    O Mapa confirmou a detecção da planta invasora em São José do Rio Preto na última segunda-feira (9). Trata-se de uma praga quarentenária presente no Brasil, que até então estava restrita a algumas propriedades nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    A praga foi detectada pela primeira vez no Brasil em 2015, no Mato Grosso, onde está presente oficialmente em oito municípios. Alguns anos depois, um novo foco foi identificado no Mato Grosso do Sul, atualmente restrito a dois municípios.

    Planta Amaranthus palmeri em meio à lavoura de soja

    A propriedade foco em São Paulo foi interditada. Não é permitida a saída de material vegetal da espécie, restos culturais, resíduos de limpeza de vegetais e de produtos vegetais, bem como de solo.

    A colheita da soja cultivada no talhão onde houve a detecção somente será autorizada após a eliminação de todas as plantas de Amaranthus spp., conforme procedimento a ser estabelecido pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária do estado.

    Paralelamente, foram iniciados levantamentos de delimitação para identificar o tamanho e a abrangência do foco.

    O caruru-palmeri é considerado uma das plantas invasoras mais difíceis de controlar, devido às suas características biológicas e ao histórico de resistência a herbicidas com diferentes mecanismos de ação.

    Trata-se de uma planta agressiva, com alta capacidade de adaptação a diferentes ambientes, cuja presença no talhão representa risco de redução significativa na produtividade.

    A dispersão pode ocorrer principalmente por meio de maquinários e implementos agrícolas, além da mistura com outras sementes.

    A Portaria SDA/Mapa nº 1.119, de 20 de maio de 2024, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da praga e estabeleceu medidas fitossanitárias para prevenção, detecção, delimitação e controle. Segundo o ministério, a atuação tem como objetivo proteger a sanidade vegetal, preservar a produção agropecuária e assegurar o cumprimento da legislação vigente.

    Paraná reforça barreiras e amplia vigilância

    Diante da confirmação do foco em São Paulo, a  Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) estruturou um conjunto de ações preventivas para evitar a introdução do caruru-gigante no território paranaense.

    A estratégia envolve fiscalização direta em propriedades rurais e em locais que recebem maquinários vindos de outros estados, com foco na identificação precoce de plantas suspeitas.

    A limpeza rigorosa de máquinas e implementos agrícolas passou a ser reforçada como medida essencial para reduzir o risco de transporte de sementes.

    Outra frente é a coleta de amostras em situações suspeitas. O material é encaminhado ao Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti, vinculado à Adapar, onde são realizados exames laboratoriais para confirmação ou descarte da praga.

    O apoio operacional também foi intensificado, especialmente na vigilância das divisas estaduais, consideradas a primeira barreira de defesa agropecuária.

    Especialistas alertam que o potencial de multiplicação do Amaranthus palmeri amplia o risco de disseminação. Uma única planta fêmea pode produzir centenas de milhares de sementes, formando um banco persistente no solo por vários anos. A germinação escalonada ao longo das safras e o crescimento acelerado aumentam o desafio do controle nas áreas produtivas.

    Histórico da praga no Brasil

    O caruru-gigante foi identificado oficialmente no Brasil em 2015. Os primeiros registros ocorreram em áreas de algodão, soja e milho no Mato Grosso, com notificação feita por técnicos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).

    Espécie nativa da América do Norte, especialmente do centro-sul dos Estados Unidos, a planta apresentou resistência ao glifosato logo nos primeiros registros no país. O herbicida é amplamente utilizado no controle de ervas daninhas em culturas como soja, milho, frutas, hortaliças e nozes.

    Desde então, a praga passou a ser monitorada e teve registros posteriores no Mato Grosso do Sul, em 2022, e mais recentemente em São Paulo. A confirmação em novas áreas representa risco de prejuízos produtivos e impacto econômico nas regiões afetadas.

     

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