Governo deve decidir em junho sobre aumento da mistura de etanol na gasolina

    Proposta quer aumentar de 30% para 32% de etanol no litro de gasolina; medida é vista como alternativa para reduzir dependência externa e conter impactos da alta do petróleo

    Por |
    Governo deve decidir em junho sobre aumento da mistura de etanol na gasolina
    26deMaiode2026ás11:10

    O governo federal já trabalha com uma data para decidir oficialmente se vai aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no Brasil.

    A discussão deve ser concluída na primeira quinzena de junho, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por definir diretrizes para o setor de combustíveis no país.

    >> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    >> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET

    A proposta em análise prevê elevar a mistura atual de 30% para 32%, criando o chamado “E32”. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, a medida já conta com apoio dentro do governo e a votação no conselho deve funcionar praticamente como uma formalidade.

    O ministro ainda disse, durante evento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que um aumento maior da mistura, para 35%, depende de estudos adicionais.

    A mudança faz parte de um pacote de estratégias adotadas pelo governo para tentar reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo sobre os combustíveis no Brasil.

    A avaliação da equipe econômica e do Ministério de Minas e Energia é de que um percentual maior de etanol pode diminuir a necessidade de importação de gasolina e ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

    Programa Combustível do Futuro

    Integrantes do governo argumentam que o aumento da mistura também reforça o discurso de incentivo à transição energética e fortalece o setor sucroenergético nacional.

    De acordo com estudos prévios realizados pelo governo federal, o aumento para 32% não causaria impactos relevantes nos motores dos veículos atualmente em circulação.

    O tema, no entanto, ainda divide opiniões entre especialistas do setor.

    Enquanto representantes da cadeia do etanol defendem ganhos ambientais e redução da dependência de derivados fósseis, parte da indústria automotiva acompanha a discussão com cautela e pede avaliações contínuas sobre desempenho e eficiência dos motores a longo prazo.

    Se aprovada pelo CNPE, a nova mistura deverá começar a ser implementada gradualmente nos próximos meses.

    Potência global 

    O Brasil é o segundo maior produtor global de etanol, projetando bater um novo recorde com mais de 41 bilhões de litros na safra 2026/2027.

    O biocombustível é impulsionado pelo domínio tradicional da cana-de-açúcar e pela forte expansão do etanol de milho. O país possui centenas de usinas licenciadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tendo a Raízen como um dos maiores grupos do setor sucroalcooleiro.

    Temas nesta notícia