Ministério da Agricultura confirma primeiros casos de greening no Rio Grande do Sul

    Detecção ocorreu em um pomar doméstico de Palmitinho; autoridades intensificam vigilância para evitar a disseminação da doença no Estado

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    Ministério da Agricultura confirma primeiros casos de greening no Rio Grande do Sul
    09deJunhode2026ás11:40

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul.

    A detecção marca o primeiro registro da doença no Estado e  foi resultado de um programa de vigilância realizado desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).

    As ações de monitoramento foram intensificadas nos últimos anos devido à presença da doença na Argentina, no Uruguai e em Santa Catarina.

    As plantas com sintomas foram identificadas em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina. A confirmação ocorreu após análises laboratoriais realizadas na rede oficial do Ministério.

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    A propriedade onde o foco foi detectado possui cerca de 20 mudas de citros. Conforme os protocolos fitossanitários, as plantas infectadas serão erradicadas e será realizado o controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora da doença.

    A principal hipótese é que a introdução do greening no Estado tenha ocorrido por meio da aquisição de mudas irregulares já contaminadas.

    Equipes do Mapa e da Seapi-RS já atuam na região para monitorar áreas próximas ao foco e adotar medidas destinadas a evitar a disseminação da doença. As ações seguem o Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

    Além do acompanhamento da área afetada, serão intensificadas as atividades de vigilância fitossanitária em toda a região, com atenção especial aos pomares comerciais e ao trânsito de mudas cítricas.

    Vigilância reforçada

    O diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi), Ricardo Felicetti, afirmou que as equipes já estão mobilizadas para conter o avanço da doença.

    “O Rio Grande do Sul desenvolve há muitos anos um trabalho permanente de monitoramento e prevenção ao greening. No entanto, estados vizinhos e regiões de fronteira já registravam a presença da doença há algum tempo. Felizmente, a confirmação ocorreu em um pomar doméstico localizado em uma região sem grande concentração de citricultura comercial. Vamos adotar todas as medidas necessárias para impedir a disseminação da doença para outras regiões do Estado”, destacou Felicetti.

    O greening não oferece riscos à saúde humana. Seus impactos estão concentrados na produção citrícola, provocando deformação dos frutos, perda de qualidade e redução da produtividade das plantas.

    Diante da confirmação do foco, o Serviço Oficial, composto pelo Mapa e pela Seapi-RS, reforçou a orientação para que produtores utilizem apenas mudas que atendam à legislação do Ministério da Agricultura quanto à origem e aos requisitos sanitários.

    Monitoramento permanente

    Entre novembro de 2025 e março de 2026, o DDV instalou e monitorou 374 armadilhas em pomares de 77 municípios gaúchos. No período, foram realizadas 4.326 leituras com o objetivo de detectar a presença do psilídeo, vetor da doença.

    A cada 15 dias, as cartelas adesivas são substituídas e o material recolhido passa por análise para identificação de insetos suspeitos. A Seapi também atua com apoio técnico, capacitações, distribuição de materiais informativos e fornecimento de armadilhas adesivas amarelas.

    Além do monitoramento por armadilhas, em 2025 foram realizadas 211 inspeções em pomares de 65 municípios. Durante as ações, foram coletadas 13 amostras de material vegetal com suspeita da doença, mas todas apresentaram resultado negativo para a bactéria causadora do greening.

    Em 2026, até o momento, já foram realizadas 47 inspeções em 19 municípios, com a coleta de oito amostras suspeitas. Assim como no ano anterior, todas tiveram resultado negativo para a presença da bactéria.

    Entre as medidas preventivas adotadas no Estado estão as exigências previstas na Portaria nº 1.326 do Ministério da Agricultura, que determina que o material de propagação de citros seja produzido em ambiente protegido e a partir de plantas matrizes indexadas e certificadas.

    Uma das doenças mais severas da citricultura

    Considerado uma das doenças mais graves da citricultura mundial, o greening afeta todas as espécies de citros e ainda não possui tratamento eficaz para plantas infectadas.

    Os principais sintomas incluem amarelecimento das folhas, produção de frutos pequenos, deformados e com sabor amargo, além da redução da produtividade e da morte de plantas como laranjeiras, limoeiros e bergamoteiras. A doença representa uma das maiores ameaças à produção citrícola devido à sua rápida disseminação e aos prejuízos econômicos causados aos pomares.

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