Plano Clima mira corte de até 67% das emissões no Brasil até 2035
Estratégia federal reúne medidas de adaptação, mobiliza bilhões em financiamento e projeta neutralidade de carbono até 2050
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O governo federal lançou nesta segunda-feira (16), em Brasília, o Plano Clima, estratégia que estabelece diretrizes para enfrentamento da crise climática no Brasil e define metas de redução de emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas.
O principal objetivo é cortar entre 59% e 67% das emissões de dióxido de carbono até 2035, em relação aos níveis de 2005. A meta faz parte do caminho traçado pelo governo para zerar as emissões líquidas até 2050.
O documento reúne ações de mitigação e adaptação voltadas à transição para uma economia de baixo carbono, com foco em sustentabilidade socioambiental e desenvolvimento.
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A construção do plano teve início em 2023 e contou com a participação de cerca de 24 mil pessoas, resultando em aproximadamente 5 mil propostas. As contribuições foram consolidadas pelo Comitê Interministerial sobre Mudança Climática (CIM), formado por 25 ministérios.
Para 2025, a iniciativa contará com R$ 27,5 bilhões em recursos reembolsáveis do Fundo Clima e R$ 5,9 milhões em recursos não reembolsáveis. Desde 2023, já foram destinados R$ 52,4 bilhões ao plano, segundo o Globo Rural.
Emergência climática e estratégia do governo
“Nós tivemos um processo com ampla participação da sociedade civil”, afirmou a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudanças Climáticas).
Segundo ela, “o Plano Clima orientará as ações do governo tanto nas agendas de adaptação, mitigação” e servirá para reorientar as nossas ações nas agendas de desenvolvimento.”
“A gente vive uma situação gravíssima de emergência climática” e “o Plano Clima é a principal estratégia do governo para o enfrentamento aos graves problemas da mudança do clima que já estão nos assolando”, disse a ministra, ao citar eventos extremos recentes, como desastres na Bahia (2021), no Rio Grande do Sul (2023), em São Sebastião (2024), além de secas e cheias na Amazônia e a tragédia recente na Zona da Mata de Minas Gerais.
Financiamento e instrumentos
O plano será financiado por diferentes frentes, incluindo recursos do Eco Invest Brasil, investimentos privados, cooperação internacional por meio da Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP) e verbas do Fundo Clima, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para este ano, o Fundo Clima deve disponibilizar mais de R$ 33 bilhões, sendo a maior parte (R$ 27,5 bilhões) em recursos reembolsáveis via BNDES.
Disputa por protagonismo global
Em nota, o ministro Rui Costa (Casa Civil) afirmou que “o Plano Clima representa um novo passo do governo do presidente Lula para posicionar o Brasil na liderança global da agenda ambiental.”
Segundo ele, a iniciativa “é também um chamado à ação para estados, municípios, setor privado e sociedade civil.”
A ministra Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) destacou que “o Plano Clima consolida a ciência como base para as ações de enfrentamento à crise climática” e que o país não está “apenas reagindo aos desastres”, mas “antecipando soluções.”