El Niño em 2026: quando chega e o que pode provocar no clima e na safra

    Fenômeno pode se formar a partir do segundo semestre e já projeta efeitos opostos entre as regiões brasileiras

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    El Niño em 2026: quando chega e o que pode provocar no clima e na safra
    28deMarçode2026ás09:25

    As projeções mais recentes indicam aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026, com impactos diretos sobre o clima e a produção agrícola no Brasil.

    De acordo com boletim do Centro de Previsão Climática (CPC), da NOAA, divulgado em 16 de março, há 62% de chance de o fenômeno se estabelecer no trimestre entre junho e agosto.

    A partir de agosto, essa probabilidade ultrapassa 80% e pode se manter elevada até o fim do ano.

    Antes disso, os modelos climáticos apontam a transição da atual La Niña para uma condição de neutralidade entre março e maio, com probabilidade superior a 90%.

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    No Brasil, os efeitos do El Niño tendem a ser contrastantes entre as regiões. Enquanto o Norte e o Nordeste costumam enfrentar redução das chuvas e maior risco de estiagem, o Sul registra aumento significativo nos volumes de precipitação.

    Impactos diretos na agricultura

    A agricultura está entre os setores mais sensíveis às variações climáticas associadas ao El Niño. Mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas afetam diretamente o desenvolvimento das culturas e a produtividade.

    Nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, a tendência é de menor volume de chuvas e maior frequência de períodos secos, o que compromete a disponibilidade hídrica e eleva o risco de perdas, sobretudo em áreas de sequeiro.

    Já no Sul, o aumento das chuvas, especialmente entre inverno e primavera, pode resultar em excesso de umidade no solo. Esse cenário dificulta o manejo agrícola e favorece a incidência de doenças.

    Para culturas de inverno, como trigo e aveia, os meses de setembro e outubro concentram os maiores riscos. Nessas condições, fases críticas como floração, enchimento de grãos e maturação ficam mais expostas ao excesso hídrico, o que reduz o potencial produtivo.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entre 1996 e 2025 reforçam esse cenário. Conforme apresentado nas tabelas da nota técnica, a probabilidade de produtividade abaixo da média durante eventos de El Niño chega a cerca de 80% para o trigo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e a 60% para a aveia.

    No Paraná, o comportamento é mais equilibrado, mas ainda com risco relevante de perdas.

    Safra de verão também entra no radar

    Os efeitos do El Niño também se estendem à safra de verão, com reflexos distintos conforme a região.

    No Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, a redução das chuvas tende a aumentar a frequência de veranicos, principalmente na primavera e no início do verão. O cenário pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho.

    No Sul, por outro lado, o maior volume de chuvas pode favorecer a disponibilidade hídrica, mas o excesso traz riscos. O encharcamento do solo, a maior incidência de doenças e as dificuldades operacionais no campo podem comprometer o manejo e a qualidade da colheita.

    Cenário ainda depende de outros fatores

    Apesar do avanço nas probabilidades, os efeitos efetivos do El Niño ainda dependem de outros fatores climáticos, como as condições de temperatura da superfície do mar no Atlântico Tropical e Sul, além da intensidade do fenômeno.

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) segue monitorando a evolução dos modelos internacionais. Caso o cenário se confirme, os principais efeitos no Brasil devem se concentrar entre o final do inverno e a primavera de 2026, período decisivo para boa parte das safras no país.

    O que é o El Niño

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e integra o sistema ENOS (El Niño–Oscilação Sul), que alterna entre três fases: El Niño, La Niña e condição neutra.

    O fenômeno é identificado quando a temperatura da superfície do mar fica, no mínimo, 0,5°C acima da média por um período prolongado. Sua duração é variável e pode se estender por mais de dois anos.

    Durante sua formação, o enfraquecimento dos ventos alísios impede a subida de águas frias no Pacífico, mantendo águas mais quentes na superfície — condição essencial para o desenvolvimento do fenômeno.

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