TecnoShow: nova soja da Embrapa combina produtividade e controle de plantas daninhas

    Cultivar convencional amplia opções de manejo no campo e reduz dependência de herbicidas tradicionais

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    TecnoShow: nova soja da Embrapa combina produtividade e controle de plantas daninhas
    07deAbrilde2026ás14:44

    A Embrapa Soja e a Caramuru Alimentos lançam, durante o TecnoShow Comigo, a cultivar de soja BRS 579, que combina alto potencial produtivo com uma alternativa para o manejo de plantas daninhas em sistemas convencionais de cultivo. A feira aconece até o dia 10 de abril, em Rio Verde (GO).

    A nova variedade é indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática sojícola REC 402) que buscam cultivares de ciclo médio a tardio, nos grupos de maturação entre 7.0 e 9.0+. 

    A BRS 579 pertence ao grupo 7.9 e apresenta “um ciclo condizente com o sistema de produção da região, podendo ser utilizado para escalonamento da colheita e para a semeadura no início da safra”, explica o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja.

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    No campo sanitário, a cultivar apresenta moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, patógenos relevantes nas áreas de cultivo.

    Tecnologia amplia manejo e reduz risco de fitotoxicidade

    A BRS 579 incorpora a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias), grupo de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase).

    Esses produtos já são utilizados na cultura, mas com restrições de dose devido ao risco de fitotoxicidade — o que não ocorre nas cultivares com essa tecnologia.

    O pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, explica que a fitotoxicidade é um dano causado por herbicidas na planta, podendo ocorrer por erro de dosagem, condições climáticas adversas ou estresse. Entre os efeitos estão amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento.

    Segundo ele, a tecnologia STS funciona como um “escudo genético”. “Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência (quando a soja já está crescida), eliminando as infestantes que competem por nutrientes e luz”, pontua Adegas.

    “Com essa nova solução tecnológica, entregamos ao produtor não apenas uma semente, mas produtividade associada a uma ferramenta de manejo capaz de trazer mais tranquilidade e rentabilidade no final da safra", complementa Zito.

    Para os pesquisadores, o principal diferencial está na possibilidade de reduzir a dependência do glifosato, hoje dominante nas cultivares transgênicas. A tecnologia amplia o controle de plantas daninhas de difícil manejo e resistentes, mantendo o vigor e a produtividade.

    “Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis no mercado”, reforça Adegas.

    Nicho de mercado e agregação de valor

    Além do desempenho agronômico, a BRS 579 mira o mercado de soja convencional, voltado à produção livre de transgenia e com potencial de agregação de valor.

    De acordo com o Instituto Soja Livre, a soja convencional ocupa cerca de 420 mil hectares no país. Na safra 2025/2026, o Brasil cultivou aproximadamente 47 milhões de hectares com soja, majoritariamente com material genético transgênico.

     

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