Embrapa descobre substância inédita para bioinsumos agrícolas
Descoberta mostrou eficiência superior contra fungos e plantas indesejadas, chegando a ter desempenho igual ou até melhor que alguns defensivos sintéticos
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Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), identificaram uma substância inédita produzida por um fungo endofítico, um microrganismo que vive dentro dos tecidos vegetais sem causar danos, com forte potencial para uso em bioinsumos agrícolas.
O fungo isolado pertence ao gênero Piper, planta de relevância medicinal. Entre os metabólitos produzidos pelo fungo, há um composto novo, batizado provisoriamente de “composto 2”.
Em testes de laboratório, esse composto mostrou eficiência superior contra fungos e plantas indesejadas, chegando a ter desempenho igual ou até melhor que alguns defensivos sintéticos, como o glifosato e a clomazona.
“Esses microrganismos endofíticos são um reservatório promissor e ainda pouco explorado de metabólitos bioativos, capazes de gerar soluções inovadoras para a agricultura”, avalia Luiz Henrique Rosa, professor da UFMG.
O fungo estudado foi coletado no Parque Estadual da Floresta do Rio Doce (MG), em julho de 2017, e armazenado na Coleção de Micro-Organismos e Células da UFMG.
A identificação envolveu técnicas avançadas de biologia molecular, incluindo análise de DNA e comparação com dados depositados no GenBank, banco de dados que permite o acesso da comunidade científica às informações mais atualizadas e abrangentes sobre sequências de DNA.
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Por que isso importa?
Bioinsumos baseados nessa substância podem substituir ou reduzir o uso de defensivos químicos, contribuindo para uma agricultura mais saudável e ambientalmente consciente, num contexto de manutenção da produção alimentar para quase 10 bilhões de pessoas até 2025 com redução de impacto ao meio ambiente e ao ser humano.
A descoberta é mais uma prova que a biodiversidade do Brasil é uma fonte rica de moléculas inovadoras, ainda pouco exploradas, para o desenvolvimento de tecnologias biológicas agrícolas.
Esse bioinsumo pode gerar produtos competitivos para o mercado agrícola, com apelo para lavouras que buscam alternativas de manejo mais ecológicas.
Próximos Passos
Os cientistas planejam estudos de segurança toxicológica para entender os riscos de uso em plantas, solo e organismos não-alvo.
Também serão investigados os mecanismos de ação do composto: como ele mata fungos ou “inibe” plantas indesejadas.
E há a etapa de formulação para transformar a molécula em um bioinsumo aplicável em lavouras, que possa ser produzido em escala industrial.
O mercado de bioinsumos tem grande potencial de crescimento: segundo a própria Embrapa, a adoção dessas tecnologias pode aumentar conforme cresce a demanda por alternativas sustentáveis aos insumos químicos. Na safra 2024/2025, houve aumento de 13% na área tratada com bioinsumos, atingindo 156 milhões de hectares.
Além disso, novas técnicas biotecnológicas também estão sendo exploradas por pesquisadores da Embrapa para tornar bioinsumos ainda mais eficientes.