“O dado já não está mais na ponta do lápis, está na nuvem”, diz especialista da PTx
Novidades da empresa que serão apresentadas na Agrishow 2026 mostram como plataformas digitais estão transformando a gestão e integrando informações no campo

A transformação digital no campo já mudou a forma como o produtor rural lida com a informação. E isso não é de hoje. “O dado já não está mais na ponta do lápis, está na nuvem”, afirmou Rosiéli Mika Bonette, especialista de Marketing de Produto da PTx Trimble, ao comentar a evolução da gestão agrícola.
A declaração foi feita durante apresentação de soluções digitais da empresa que serão mostradas na Agrishow em Ribeirão Preto, em um cenário em que o volume de dados gerados nas operações cresce e exige novas ferramentas para organização e tomada de decisão.
O modelo tradicional baseado em anotações já não acompanha a realidade atual, segundo a especialista.
“A memória do produtor já não dá conta do volume de dados. Antes, muita coisa ficava na cabeça do produtor, no apontamento, no caderninho que tirava do bolso.”
Ela explica que a mudança veio com a própria evolução do agro. “À medida que o negócio foi se tornando mais empresarial, a necessidade de automatizar processos começou a gerar muito dado. Então a cabeça do produtor já não é mais suficiente. Não é um banco de dados, não é um HD eficiente suficiente”, afirmou.
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Segundo ela, essa necessidade de ser mais eficiente trouxe para o produtor a demanda de ampliar o uso de sistemas e processamento de dados para tomada de decisão.
“Ele precisa desses aliados tecnológicos para processar o dado e ajudar ele a tomar decisão. A nuvem já é um aliado do produtor.”
Digitalização avança e exige integração
Nesse cenário, um dos desafios ainda presentes no campo é a fragmentação das informações, especialmente em propriedades com máquinas de diferentes fabricantes.
A plataforma FarmENGAGE, desenvolvida pela PTx, surge para enfrentar esse problema. A plataforma, que será apresentada durante a Agrishow 2026 — entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP) —, chega para eliminar um dos principais entraves à rentabilidade no campo: o isolamento de dados e a complexidade na gestão de frotas de diferentes marcas e gerações.

A proposta é centralizar dados de máquinas e operações em uma única interface, independentemente da marca dos equipamentos.
Essa nova plataforma de gerenciamento conecta a frota de qualquer marca e ano, oferecendo ao produtor o controle total sobre sua operação. A plataforma também permite o envio e recebimento de dados de forma remota, além de integração com outros sistemas já utilizados pelo produtor, facilitando a troca de informações e a gestão centralizada.
“Nós desenvolvemos tecnologias que possam ser utilizadas de forma democrática”, afirmou. “O cliente quer ter autonomia de escolher máquinas de diferentes marcas.”
Com foco em todo o ciclo da cultura, o FarmENGAGE ajuda a potencializar recursos e reduzir desperdícios. “Ao unificar o trabalho de campo em uma única interface de fácil uso, a PTx reforça seu compromisso de entregar tecnologias que ‘falam a mesma língua’, transformando dados brutos em decisões estratégicas que aumentam a margem de lucro do produtor brasileiro”, finaliza Rosiéli.
Além do FarmENGAGE, a empresa também destaca o Panorama, plataforma desenvolvida pela Precision Planting, que amplia a gestão digital ao concentrar dados agronômicos em uma interface única e conectada. O sistema funciona integrado ao monitor 20|20 e oferece acesso via dispositivos móveis e web.
A plataforma fornece dados agronômicos detalhados e precisos sobre as operações de plantio, colheita e pulverização.
“O produtor brasileiro é um dos mais eficientes do mundo, mas o volume de dados gerados no campo hoje pode ser esmagador se não houver uma ferramenta inteligente para traduzi-los”, afirmou Rosiéli. Segundo ela, a proposta é ampliar o controle sobre a operação, permitindo acesso remoto às informações e maior integração entre equipamentos. “O agricultor passa a ter a sua fazenda na palma da mão.”
Do campo ao escritório, sem papel
A digitalização também tem reduzido práticas ainda comuns no dia a dia do produtor, como o transporte manual de informações.
“Hoje, sair do escritório com um pendrive, sair do escritório e ir lá para a roça levar para o operador, isso aí é tempo e tempo é dinheiro”, afirmou.
Segundo a especialista, até operações simples podem gerar perdas quando não são bem executadas. “Às vezes o operador chega lá e bate o ponto A, atravessa o talhão, bate o B sem fazer a operação. Isso é desperdício. Desperdício de tempo do operador, da máquina, de consumo.”
Ela também aponta falhas na execução de linhas de plantio. “Se a primeira passada não está com o georreferenciamento, a passada seguinte não vai estar perfeitamente paralela. Ele ou vai abrir a passada ou vai sobrepor, também não é ideal.”
Nesse contexto, a gestão digital evita retrabalho. “Se ele já criou uma linha AB, por exemplo, na safra passada, ele poderia guardar essa informação na plataforma e compartilhar entre diferentes máquinas. Ele não precisaria fazer isso de novo.”
O mesmo vale para operações mais avançadas. “Hoje eu posso fazer a gestão de mapas de prescrição e enviar remotamente. Não precisa mais pegar um pendrive e levar até o campo. Isso é tempo, e tempo é dinheiro.”
Dados como base da decisão
Rosiéli destaca que o uso de dados já faz parte da rotina no campo, ainda que em diferentes níveis entre os produtores.
“Tem muitos clientes que já estão utilizando esse dado para tomada de decisão, para aumentar a eficiência. E tem outros que ainda não fazem nem a gestão da linha AB”, afirmou.
Segundo ela, o nível de detalhamento das informações passou a ser determinante. “Hoje, uma análise de um mapa é o diferencial, o a mais que ele está conseguindo para tomar uma decisão.”
Próximo passo: avanço da IA no campo
Para os próximos anos, a tendência é de avanço no uso de inteligência artificial na agricultura.
“A gente está indo no caminho de que as inteligências vão indicar para o produtor, já vão dar os detalhes. A plataforma vai trazer tudo mais pronto, mais mastigado para o produtor.”
Segundo a especialista, esse movimento deve simplificar o uso das tecnologias. “Pessoas, às vezes, sem tanto conhecimento, vão conseguir utilizar, porque a plataforma já vai trazer tudo mais pronto.”
“O dado hoje é uma ferramenta essencial para a agricultura”, concluiu.
