DNA do solo: Paraná inicia mapeamento inédito em larga escala
Tecnologia permite mapear microrganismos, orientar o manejo e apoiar políticas agrícolas
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O Paraná iniciou um projeto inédito para estudar o DNA do solo em escala estadual. A iniciativa, baseada em metagenômica — tecnologia que analisa o material genético e a composição mineral e biológica — vai mapear a diversidade de microrganismos e nutrientes em diferentes regiões do estado.
Ao todo, serão 8.400 pontos amostrados, com cerca de 700 análises metagenômicas completas.
O levantamento integra o projeto Solo Vivo Paraná, coordenado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), e servirá de base para a construção do Mapa Genético dos Solos Paranaenses.
A proposta une biotecnologia ao manejo sustentável e amplia o conhecimento sobre a qualidade biológica do solo, com potencial para orientar práticas agrícolas mais eficientes e produtivas.
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Raio-X da saúde do solo
Na prática, a análise metagenômica funciona como um “raio-X” da saúde do solo, permitindo identificar microrganismos benéficos ou patogênicos, além de mapear ciclos de nutrientes e a diversidade biológica presente.
O processo envolve o sequenciamento de DNA de fungos, bactérias e vírus diretamente das amostras, diferentemente das análises laboratoriais tradicionais, que se concentram nos aspectos químicos e nutricionais.
Segundo o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a iniciativa posiciona o estado na vanguarda da biotecnologia aplicada ao campo.
“Este projeto-piloto introduz uma ferramenta inédita para o Estado: a metagenômica aplicada à agricultura, integrando o Paraná à agenda global de bioeconomia e inovação verde”, disse Marafon.
“Por meio deste estudo, o agronegócio paranaense terá acesso a indicadores científicos capazes de transformar práticas agrícolas, com impactos diretos na cadeia agroindustrial, ampliando a produção de alimentos com sustentabilidade”, afirmou.
Base para manejo e políticas públicas
A implementação de protocolos de diagnóstico genético do solo deve permitir a identificação das condições biológicas que influenciam diretamente a produtividade agrícola.
“A aplicação pioneira da metagenômica agrícola no Estado, utilizando sequenciamento genético para mapear comunidades microbianas em larga escala, representa um marco metodológico”, afirma o gerente do Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde do Tecpar, Marco Antonio Netzel.
“Isso ampliará a capacidade local de análise e gestão do solo com base em evidências científicas, transferindo conhecimento técnico para instituições públicas. Os dados gerados poderão orientar estratégias de manejo, além de subsidiar políticas públicas e estratégias de mitigação climática”.
Como funciona o projeto
Desenvolvido em parceria com a empresa Go Genetic, o projeto prevê a coleta de amostras de solo em regiões agrícolas do Paraná.
Após a extração do DNA, o material será submetido ao sequenciamento genético de nova geração (NGS) e, posteriormente, à análise bioinformática — técnica que integra computação, biologia e estatística para interpretar grandes volumes de dados.
Os resultados serão analisados em conjunto com equipes do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), e vão embasar uma publicação técnica que servirá de referência para o desenvolvimento do mapa genético dos solos do estado.
Além de indicar áreas que necessitam de correção, o estudo deve contribuir para o uso mais eficiente do solo, recuperação de áreas degradadas, otimização de fertilizantes e definição de estratégias para controle e prevenção de doenças.
Pequenos produtores no foco
Os principais beneficiados serão pequenos e médios produtores, que representam 84% das propriedades rurais do Paraná. A expectativa é de aumento de produtividade com base em dados técnicos, ampliando competitividade e autonomia no campo.
O projeto-piloto contará com cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas de 13 municípios, como Castro, Guarapuava, Ponta Grossa e São José dos Pinhais.
A iniciativa foi estruturada para refletir a diversidade produtiva do estado, abrangendo desde culturas como banana, citros e mandioca até grandes lavouras de soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. Também serão analisadas áreas com solos degradados, com foco em diagnóstico e regeneração.