Guerra no Oriente Médio produz bomba inflacionária prestes a explodir

    Com alta prevista nos preços da energia, conflito deteriora cenários no agro, pressiona fertilizantes, alimentos e aumenta incertezas

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    Guerra no Oriente Médio produz bomba inflacionária prestes a explodir
    28deAbrilde2026ás16:40

    Não é de hoje que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã vem produzindo efeitos que vão para além dos campos de batalha. Os impactos já atingem em cheio o bolso do consumidor e a lógica de produção global de alimentos está sob ameaça enquanto o destino da conflagração segue incerto.

    Um relatório recente do Banco Mundial apontou que os preços da energia podem subir até 24% em 2026, impulsionados justamente pelas tensões no Oriente Médio e pelas interrupções em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do petróleo mundial.

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    E, quando energia sobe, o impacto se espalha como um efeito dominó. É uma injeção inflacionária direto na veia das pessoas, em outras palavras.

    O próprio Banco Mundial projeta também um aumento relevante nos preços dos fertilizantes, com especial destaque para a ureia, além de uma alta generalizada das commodities.

    No campo, a conta chega rápido. Fertilizantes nitrogenados, como a ureia, dependem diretamente do gás natural, justamente um dos insumos mais afetados pela crise energética. Com isso, o custo de produção agrícola sobe quase automaticamente.

    O Brasil importa cerca de 85% a 90% dos fertilizantes que utiliza internamente, tornando-se o maior importador mundial desse insumo.

    Só em 2025, o país registrou recordes, importando quase 24 milhões de toneladas de adubos apenas entre janeiro e julho, com a Rússia como principal fornecedor.

    Em paralelo, há o fator logístico. O estreitamento ou bloqueio total de rotas marítimas no Golfo Pérsico já reduziu drasticamente o fluxo de navios, elevando fretes, seguros e criando gargalos no comércio internacional.

    O resultado é um encadeamento de pressões:

    • energia mais cara;
    • fertilizantes mais caros;
    • produção agrícola mais cara;
    • alimentos mais caros.

    E esse movimento já começa a aparecer em diferentes partes do mundo.

    Segundo matéria publicada pelo El País, a alta no preço dos fertilizantes já chega a 20%, o que impacta culturas como cereais e oleaginosas.

    Energia cara, comida cara

    A equação é conhecida, mas ganha força em momentos de crise: energia cara pressiona toda a cadeia produtiva.

    Do diesel que movimenta tratores e caminhões ao gás usado na fabricação de fertilizantes, passando pelo transporte e armazenamento, tudo fica mais caro. E esse custo, mais cedo ou mais tarde, chega à gôndola do supermercado.

    Instituições internacionais já alertam que o conflito pode manter combustíveis e fertilizantes elevados por um período prolongado, mesmo após o fim das hostilidades, devido aos danos logísticos e à instabilidade no abastecimento global.

    É o tipo de choque que não desaparece rapidamente. Nesta terça-feira (28), o barril de petróleo brent, utilizado como referência no Brasil, era cotado na casa dos U$ 110. Em fevereiro, o mesmo barril custava U$ 60. 

    Risco sistêmico

    O cenário atual começa a desenhar uma pressão inflacionária global mais persistente, o que limita (ou impede) que os Bancos Centrais mundo afora pratiquem políticas de juros menos contracionistas, o que engessa a economia e endivida ainda mais aqueles que recorrem a financiamentos ou demais linhas de crédito.

    Commodities mais caras, cadeias logísticas tensionadas e custos de produção elevados formam um ambiente propício para alta generalizada de preços, especialmente em economias emergentes como o Brasil.

    O Banco Mundial estima que a inflação nesses países pode subir para algo entre 5,1% e 5,8% já em 2026, caso o conflito se prolongue.

    Inflação no Brasil dobra em abril ante março

    No Brasil, os sinais dessa pressão já começam a aparecer. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,89% em abril, mais do que o dobro do registrado em março (0,44%).

    Os principais vilões são justamente dois dos setores mais sensíveis à crise internacional:

    • Alimentos, com alta de 1,46%.
    • Transportes, puxados pelos combustíveis, com avanço de 1,34%.

    A gasolina, por exemplo, subiu mais de 6% no período, enquanto itens básicos como leite, tomate e cebola registraram aumentos expressivos.

    O que está em jogo

    O conflito no Oriente Médio reacende um velho fantasma da economia global: o da inflação importada.

    Quando energia, fertilizantes e logística entram em choque ao mesmo tempo, o impacto se avoluma como uma grande onda, impossível de ser contida por medidas pontuais.

    Lula anuncia subvenção para gás de cozinha

    Em meio à pressão global sobre os preços da energia, o governo federal abriu um crédito extraordinário de R$ 330 milhões para tentar conter a alta do gás de cozinha no Brasil.

    A medida funciona como um amortecedor: o recurso será usado para subsidiar a importação de GLP (gás liquefeito de petróleo), na tentativa de segurar a disparada dos preços internacionais.

    Na prática, o governo passa a bancar parte do custo do gás importado, com um subsídio de cerca de R$ 850 por tonelada, válido inicialmente por dois meses e com possibilidade de prorrogação, a depender dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

    A ideia é equiparar o preço do produto externo ao praticado no mercado interno e garantir que certo alívio chegue à ponta, especialmente para famílias de baixa renda, as primeiras expostas à volatilidade dos combustíveis.

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