Jogo virou no crédito rural: CPR dispara 38% e muda o perfil do setor

Produtores reduzem investimento, recorrem mais a instrumentos privados e aumentam a seletividade no financiamento agrícola

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Jogo virou no crédito rural: CPR dispara 38% e muda o perfil do setor
10deAbrilde2026ás17:53

O crédito rural até cresceu na safra 2025/2026, mas o movimento por trás dos números revela uma virada importante no campo: produtores reduziram investimentos e passaram a depender mais de instrumentos privados, como a Cédula de Produto Rural (CPR), que disparou 38% no período. 

Esse avanço da CPR ajuda a explicar o crescimento do crédito rural empresarial, que registrou alta de 10% no volume total contratado entre julho de 2025 e março de 2026, alcançando R$ 404 bilhões, ante R$ 368 bilhões no mesmo intervalo da safra anterior. Já os recursos efetivamente concedidos somaram R$ 387 bilhões, avanço de 5%.

O principal destaque foi justamente a emissão de CPRque atingiu R$ 183,1 bilhões no período. Como o instrumento é majoritariamente voltado ao custeio da safra, sua soma com o crédito tradicional eleva o volume destinado a essa finalidade para R$ 303,1 bilhões — alta de 13% na comparação anual.

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“O crescimento de 10% nas contratações e de 5% nas concessões demonstra a solidez do financiamento agropecuário brasileiro, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte dos produtores e do sistema financeiro”, afirmou a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.

Menos investimento e mais seletividade

Apesar do avanço no volume total, o comportamento das linhas de crédito indica mudança no perfil de financiamento.

A industrialização foi o segmento com maior expansão, com alta de 74% nas contratações (R$ 28,1 bilhões) e de 64% nas concessões (R$ 26,4 bilhões), refletindo a demanda por processamento agroindustrial.

Já as linhas tradicionais recuaram. O  custeio caiu 11% nas contratações (R$ 120,0 bilhões) e 15% nas concessões (R$ 114,3 bilhões).