PIB da cadeia da soja e do biodiesel cresce 11,7% em 2025

    Safra recorde, maior processamento industrial e demanda aquecida por derivados impulsionaram o desempenho do setor, segundo Cepea e Abiove

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    PIB da cadeia da soja e do biodiesel cresce 11,7% em 2025
    07deMaiode2026ás13:28

    O PIB da cadeia da soja e do biodiesel cresceu 11,72% em 2025, impulsionado pela safra recorde de soja no Brasil e pelo avanço do processamento industrial do grão.

    Os dados são de estudos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). 

    Segundo o levantamento, o resultado positivo foi sustentado pela colheita histórica da safra 2024/25 e pela intensificação do processamento da soja, movimento que impulsionou os segmentos de insumos e agrosserviços.

    Com isso, a cadeia produtiva respondeu por 21,6% do PIB do agronegócio brasileiro em 2025 e por 5,4% do PIB nacional. 

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    Os dados do Cepea e da Abiove mostram avanço de 2,71% no segmento de insumos, reflexo da expansão da área plantada e da maior intensificação produtiva no campo. O cenário estimulou a indústria antes da porteira.

    pib cadeia soja

    Já o PIB da produção de soja avançou 23,41% em 2025, resultado diretamente ligado à safra recorde de 171,5 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25, segundo a Abiove.

    Indústria cresce com demanda por derivados

    Na agroindústria, o crescimento foi de 5,21% no acumulado do ano, com avanço em todos os subsegmentos. No esmagamento da soja, o PIB aumentou 5,15%, sustentado pela demanda aquecida por derivados e pela ampla oferta de matéria-prima.

    Segundo Cepea e Abiove, cresceram tanto o consumo doméstico — impulsionado pelo biodiesel — quanto as exportações de óleo de soja. No farelo, houve recorde de consumo interno e aumento das exportações. O levantamento destaca ainda que os volumes de esmagamento atingiram níveis recordes no Brasil e no mundo.

    No biodiesel, o PIB avançou 8,51%, impulsionado pela demanda firme e pela elevação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, que passou de 14% para 15% a partir de 1º de agosto. A mudança levou a uma nova produção recorde em 2025.

    Já a indústria de rações registrou crescimento de 2,80%, puxada principalmente pelas vendas para a avicultura, favorecida pela demanda doméstica, segundo o Sindirações.

    Agrosserviços avançam, mas renda recua

    O segmento de agrosserviços cresceu 9,4% em 2025, acompanhando o forte desempenho registrado tanto no campo quanto na agroindústria.

    Apesar do avanço do PIB, a renda real da cadeia produtiva apresentou ligeira retração de 0,55%, pressionada pela deterioração dos preços relativos, que recuaram 10,98%.

    Segundo o estudo, o cenário baixista foi provocado pela ampla oferta global de soja e derivados, ainda que a demanda pelos produtos tenha permanecido firme.

    O levantamento também aponta que, considerando os valores agregados por tonelada em 2025, o PIB gerado pela soja produzida e processada no país alcançou R$ 7.608 por tonelada, valor 4,09 vezes superior ao da soja exportada diretamente, que gerou R$ 1.862 por tonelada.

    Cadeia gera 2,39 milhões de empregos

    O número de pessoas ocupadas na cadeia produtiva da soja e do biodiesel chegou a 2,39 milhões de trabalhadores em 2025, alta de 5,52% em relação ao ano anterior.

    cadeia da soja

    Com isso, a cadeia passou a representar 2,34% das ocupações da economia brasileira e 10,21% do total do agronegócio, participações ligeiramente superiores às registradas em 2024. 

    Houve aumento do emprego nos segmentos de insumos (3,43%), biodiesel (2,49%) e agrosserviços (9,91%). Por outro lado, foram registradas quedas na produção de soja (-6,86%), na indústria de esmagamento (-7,75%) e na indústria de rações (-2,11%).

    Segundo pesquisadores do Cepea e da Abiove, a expansão da produção elevou a demanda por insumos e serviços, favorecendo a geração de empregos nesses segmentos. Já o crescimento do emprego no biodiesel refletiu o avanço da produção.

    No caso da soja, os pesquisadores destacam que a atividade é altamente mecanizada e pouco intensiva em mão de obra, o que faz com que o aumento da produção nem sempre resulte em mais contratações. Além disso, oscilações climáticas afetam a produção sem necessariamente provocar mudanças equivalentes no emprego rural.

    Em 2025, a retração das ocupações foi influenciada tanto pela quebra de safra em estados como o Rio Grande do Sul quanto pelo crescimento moderado do emprego em Mato Grosso, mesmo diante do avanço da produção.

    Nas indústrias de esmagamento e de rações, as reduções nas ocupações refletem fatores como ganho de produtividade, capacidade ociosa e avanço tecnológico, segundo o estudo.

    O levantamento aponta ainda que a geração de empregos por mil toneladas alcançou 26,3 trabalhadores na soja produzida e processada, número 4,26 vezes superior ao registrado na soja produzida e exportada diretamente, que ficou em 6,2 trabalhadores por mil toneladas.

    Exportações crescem em volume, mas receita recua

    As exportações da cadeia da soja e do biodiesel somaram 133,72 milhões de toneladas em 2025, alta de 7,75% frente ao ano anterior.

    Apesar do avanço no volume embarcado, a receita caiu 1,46%, totalizando US$ 53,46 bilhões, pressionada pela queda de 8,54% nos preços médios de exportação da cadeia.

    Segundo o estudo, os preços internacionais seguiram pressionados pela ampla oferta global de produtos da cadeia, mesmo em um cenário de demanda fortalecida.

    Os valores exportados cresceram para soja (1,36%), óleo de soja (10,39%), biodiesel (33,32%) e glicerol (114,95%). Já o farelo de soja (-18,43%) e a proteína de soja (-0,77%) registraram queda na receita exportada.

    A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras da cadeia. O levantamento também aponta aumento relevante dos embarques para a União Europeia (+7,62%), Sudeste Asiático (+2,09%) e Índia (+20,35%).

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