“Hoje, produtor só quer investir em irrigação e armazenagem”, diz CEO da Bauer
Luiz Alberto Roque diz que a empresa projeta crescer 14% em 2026 em meio ao avanço da irrigação e expansão das soluções financeiras

Em um ambiente marcado por juros elevados, restrição nas linhas subsidiadas e produtores mais seletivos na tomada de crédito, a irrigação passou a ocupar posição estratégica dentro do agronegócio brasileiro.
Para Luiz Alberto Roque, CEO da Bauer do Brasil e da Irricontrol, o movimento já é perceptível dentro da porteira e vem alterando o perfil dos investimentos no campo.
“Hoje o maior gargalo é a restrição de crédito. Dinheiro existe; porém, como o produtor está mais alavancado e com dificuldades no caixa, tem retraído os bancos e, por consequência, o acesso ao capital. As únicas coisas em que o produtor demonstra interesse em investir hoje são irrigação e armazenagem”, afirma em entrevista ao Agrofy News.
A leitura ajuda a explicar como a Bauer conseguiu manter faturamento próximo de R$ 600 milhões em 2025, mesmo diante de um cenário mais desafiador para o setor.
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Segundo Roque, a empresa antecipou a dificuldade de crédito e passou a estruturar alternativas financeiras para sustentar os investimentos em irrigação.
“A busca por novas opções de crédito para o produtor rural, associada a todas as mudanças estratégicas que foram feitas, tendo como foco o produtor no centro do negócio, é que permitiu manter o faturamento entre 2024 e 2025. Não adianta ter o melhor produto ou solução tecnológica e não oferecer ao produtor alternativas de crédito para viabilizar esses investimentos”, diz.

Segundo Roque, a estratégia também exigiu maior aproximação com bancos e revendas para viabilizar os projetos no campo.
“É um trabalho feito a muitas mãos que envolve entender primeiro a necessidade do produtor, discutir com os bancos as alternativas de crédito possíveis e estar cada vez mais ao lado das revendas para fazer a conexão entre produtor e a Bauer e a Irricontrol”, conta.
Desde 2024, a companhia estruturou modalidades como CRA, barter para soja, milho e café, além de linhas em moeda estrangeira. A estratégia incluiu a ampliação de modelos de crédito privado voltados à irrigação, diante das dificuldades no repasse das linhas subsidiadas tradicionais.
