TIM entra em nova fase no agro para extrair valor dos dados gerados no campo
Após alcançar 27,3 milhões de hectares conectados, operadora aposta em IA, cloud e integração de dados para ampliar eficiência e acelerar transformação digital no agronegócio

Após avançar na conectividade rural e consolidar presença em grandes grupos do agronegócio brasileiro, a TIM prepara agora um novo passo no setor: transformar os dados gerados no campo em inteligência para aumentar eficiência, reduzir custos e melhorar a tomada de decisão nas fazendas.
A estratégia marca uma nova fase da atuação da operadora no agronegócio e também no mercado corporativo. O movimento ganhou força com a criação de uma vice-presidência dedicada ao segmento B2B e com a aquisição da V8.Tech, empresa especializada em serviços gerenciados, cloud e inteligência artificial.
“Hoje o desafio vai além de conectar o campo. O foco agora é extrair valor da conectividade”, afirmou Alexandre Dal Forno, diretor de Negócios e Soluções B2B da TIM Brasil, em entrevista ao Agrofy News.
Segundo o executivo, a companhia passou os últimos anos concentrada em expandir a cobertura rural e criar uma base capaz de sustentar a digitalização das operações agrícolas.
Agora, a intenção é avançar para uma etapa em que inteligência artificial, integração de sistemas e análise de dados passem a fazer parte da rotina operacional das fazendas.

“A jornada da transformação digital começa na conectividade, mas vai muito além disso. Não existe inteligência artificial sem dados. E no campo, para você ter dados, precisa ter conectividade”, disse.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
>> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET
A aquisição da V8.Tech amplia a capacidade da TIM de integrar infraestrutura de rede, análise de dados, cloud e aplicações digitais voltadas ao campo, fortalecendo a estratégia da empresa de atuar além da conectividade rural.
Conectividade rural avança
A TIM entrou no agronegócio em 2018 com o projeto “4G TIM no Campo”, criado para levar ao ambiente rural uma estrutura semelhante à utilizada nos centros urbanos.
A companhia afirma que hoje soma 27,3 milhões de hectares cobertos com tecnologia 4G no campo brasileiro e mais de 54 milhões de hectares com NB-IoT, tecnologia voltada para Internet das Coisas (IoT). A infraestrutura atende grupos como BP Bioenergy, SLC Agrícola, Jalles, Citrosuco, Amaggi, Adecoagro, Grupo Pedra Agroindustrial e Usina Santa Terezinha.

Além da cobertura agrícola, a operadora diz que a rede rural já beneficia diretamente 2,8 milhões de pessoas, 348 mil propriedades rurais, 515 escolas públicas e 164 unidades de saúde em áreas remotas.
Dal Forno afirma que um dos avanços mais importantes foi criar um padrão de conectividade que simplificasse o uso para o produtor.
“A máquina já sai conectada de fábrica. O produtor não precisa mais perguntar se o sistema funciona ou não. É igual comprar um celular na cidade”, afirmou.
Dal Forno também afirmou que ampliar o acesso de pequenos e médios produtores à conectividade e às ferramentas digitais ainda é um dos desafios do setor. Segundo ele, cooperativas podem ter papel importante nesse processo ao viabilizar projetos coletivos de conectividade no campo.
Dados viram ativo estratégico no campo
O executivo avalia que o agro brasileiro já produz uma enorme quantidade de informações, mas boa parte desses dados ainda está fragmentada entre máquinas, plataformas e sistemas diferentes.
“Hoje o agro é muito sofisticado em sistemas, mas eles não se falam. Hoje os dados estão em feudos. O fabricante da máquina tem uma informação, o sistema agronômico tem outra, a solução de bordo tem outra. O desafio agora é estruturar tudo isso”, explicou.
Segundo ele, a TIM pretende atuar justamente nessa integração, permitindo que os produtores utilizem inteligência artificial para gerar análises em tempo real, previsões operacionais e simulações de cenários.
A companhia afirma que já observa ganhos concretos em projetos no campo, especialmente em áreas agrícolas conectadas. Segundo Dal Forno, iniciativas como a Fazenda Conectada Case IH já mostram resultados práticos com o uso de conectividade e tecnologia nas operações rurais.
Entre os resultados apontados por ele estão a redução no consumo de combustível, a diminuição do tempo de máquinas paradas, a otimização operacional, o melhor aproveitamento dos equipamentos e até a possibilidade de reduzir o número de máquinas mantendo a mesma produtividade.
“A conectividade associada à digitalização permite rever processos todos os dias. Você começa a tomar decisões com base em dados e não mais apenas na percepção”, afirmou Dal Forno.
IA, robótica e máquinas autônomas
A TIM também vê a inteligência artificial, a robótica e os sistemas autônomos como os próximos grandes movimentos do agro brasileiro.
Segundo Dal Forno, o avanço da automação no campo deve acelerar nos próximos anos, impulsionado pelo uso de sensores, câmeras inteligentes, edge computing e processamento de dados em tempo real.
“A robótica está chegando mais rápido ao agro. Uma câmera hoje substitui às vezes 100 sensores”, disse.
O executivo avalia que o setor caminha para operações cada vez mais automatizadas, com máquinas semiautônomas, enxames de drones e equipamentos menores trabalhando de forma integrada.
“A tendência é ampliar a autonomia das máquinas em algumas operações”, afirmou.
Momento desafiador para o produtor
Apesar do avanço tecnológico, Dal Forno reconhece que o ambiente econômico ainda limita investimentos em inovação no campo.
Segundo ele, juros elevados, margens apertadas e o endividamento de parte dos produtores tornam as decisões mais cautelosas neste momento. “O produtor entende que faz sentido investir, mas muitas vezes não consegue agora”, afirmou.
Mesmo assim, ele avalia que a digitalização tende a ganhar espaço de forma permanente, principalmente entre grandes grupos do agro. “O ganho de eficiência fica para sempre. Não é uma melhoria de uma safra só”, disse.
Durante a Agrishow 2026, a TIM apresentou soluções ligadas a monitoramento de fogo e fumaça com IA, gestão integrada de dados agrícolas, plataformas climáticas e sistemas de análise operacional em tempo real.
Ao comparar o Brasil com outros mercados, Dal Forno afirmou que o agro brasileiro já opera em um nível elevado de tecnologia, embora a digitalização ainda não tenha chegado de forma ampla aos pequenos e médios produtores.
“Muitos estrangeiros que vêm ao Brasil se impressionam com o nível de tecnologia que nós já temos no campo”, disse.
