IPCA-15 sobe 0,62% em maio; alimentos lideram pressão sobre os preços
Prévia da inflação desacelerou em relação a abril, mas alta dos alimentos, da energia elétrica e dos produtos de saúde manteve pressão sobre o orçamento das famílias
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,62% em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da desaceleração em relação a abril, quando a taxa foi de 0,89%, a prévia da inflação segue em patamar elevado no acumulado dos últimos 12 meses.
Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,02% no ano e de 4,64% em 12 meses, acima dos 4,37% registrados no período imediatamente anterior. Em maio de 2025, o índice havia sido de 0,36%.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas apresentou a maior variação no mês, com alta de 1,38%. Na sequência aparecem habitação (1,03%) e saúde e cuidados pessoais (1,05%), que também tiveram forte influência sobre o resultado geral.
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As demais variações ficaram entre a queda de 0,33% em transportes e a alta de 0,50% em despesas pessoais.
Alimentação segue pressionando índice
No grupo alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio desacelerou levemente, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio.
Entre os produtos com queda de preços, destacaram-se maçã (-2,32%) e café moído (-2,09%). Por outro lado, alguns alimentos continuaram pressionando o orçamento das famílias, como batata-inglesa (26,29%), tomate (12,97%), leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%).
Já a alimentação fora do domicílio variou 0,51%, abaixo dos 0,70% registrados em abril. O comportamento foi influenciado pela desaceleração nos preços das refeições e dos lanches.
Combustíveis recuam e ajudam a conter inflação dos transportes
O grupo transportes registrou retração de 0,33% em maio, influenciado principalmente pela desaceleração dos combustíveis, que passaram de alta de 6,06% em abril para queda de 1,47% neste mês.
Segundo o levantamento, houve redução nos preços do etanol (-2,73%), óleo diesel (-2,04%) e gasolina (-1,32%). Em contrapartida, o gás veicular avançou 2,12%.
As passagens aéreas também subiram 3,25% em maio, após terem recuado 14,32% no mês anterior.
Ainda dentro do grupo transportes, o IBGE destacou a queda de 0,56% no ônibus urbano. O movimento foi influenciado pela gratuidade ou redução tarifária aos domingos em São Paulo e Salvador, além de descontos aplicados em feriados em Brasília, Belém, Belo Horizonte e Curitiba.
Energia elétrica e medicamentos pesam no bolso
No grupo habitação, a alta de 1,03% foi puxada principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 2,16% e teve o maior impacto individual no índice.
De acordo com o IBGE, o resultado reflete o início da vigência da bandeira tarifária amarela em maio, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Já o grupo saúde e cuidados pessoais avançou 1,05%, influenciado pelos produtos de higiene pessoal (1,60%), produtos farmacêuticos (1,25%) e planos de saúde (0,50%).
O instituto destaca que o reajuste autorizado de até 3,81% nos medicamentos, em vigor desde 1º de abril, contribuiu para a elevação do grupo.
Os preços utilizados no cálculo do IPCA-15 foram coletados entre 16 de abril e 15 de maio de 2026 e comparados com os vigentes entre 18 de março e 15 de abril.
O indicador contempla famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.