Inadimplência da população rural chega a 8,2% no fechamento de 2025

    Instituições financeiras concentram os casos, mas dívidas ligadas ao agro têm valores mais elevados

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    Inadimplência da população rural chega a 8,2% no fechamento de 2025
    01deJunhode2026ás10:35

    A inadimplência da população rural chegou a 8,2% no último trimestre de 2025, segundo dados inéditos da Serasa Experian. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve alta de 1,0 ponto percentual. Já na análise trimestral, o indicador desacelerou, com aumento de 0,2 ponto percentual.

    O índice da datatech considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio.

    O avanço da inadimplência ocorre em um contexto de  retração do crédito rural. Dados do Boletim Agro da Serasa Experian mostram que a quantidade de novos contratos de crédito rural e agroindustrial caiu 4,1% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o ticket médio por CPF recuou 20,8% no período.

    “Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo”, afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian. “Nesse contexto, o uso de modelos preditivos baseados em inteligência artificial, como o Agro Score, que utiliza técnicas de machine learning, é essencial para qualificar a análise de risco e apoiar decisões mais equilibradas no agronegócio”, conclui.

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    Na análise por porte, os dados mostram que produtores rurais sem informação de registro rural — possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos — registraram o maior nível de inadimplência (9,9%).

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    Na sequência, aparecem os grandes proprietários (9,8%), seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de pequeno porte (7,8%).

    Inadimplência se concentra em instituições financeiras, mas setor agro tem tickets elevados

    Ainda sobre o quarto trimestre de 2025, o índice da datatech mostra que a inadimplência rural está concentrada principalmente em dívidas contraídas com instituições financeiras (7,2%). Já os débitos diretamente relacionados a credores do próprio agro representaram 0,3%, enquanto, em outros setores, a taxa foi de 0,2%.

    Apesar disso, no mesmo período, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu R$ 115,5 mil, enquanto no setor agro chegou a R$ 138,2 mil.

    Em outros setores relacionados ao agronegócio, como transporte, armazenagem e seguros, o valor médio foi de R$ 32,6 mil. Ou seja, mesmo com menor incidência, os valores mais elevados estão nas operações ligadas ao agro.

    “O perfil do crédito rural, marcado por tickets mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explica o head de agronegócio da datatech.

    Região Sul registra melhor desempenho com inadimplência abaixo da média nacional

    Entre as regiões do país, a Sul foi a que marcou o menor percentual de inadimplência no terceiro trimestre de 2025, essa de 5,7%. O Sudeste vem em seguida, com 7,0%. Em seguida estão o Centro-Oeste (9,6%), o Nordeste (9,4%) e o Norte (12,5%).

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    Na visão por Unidade Federativa (UF), o Rio Grande do Sul teve melhor desempenho, com apenas 5,3% de taxa de inadimplência, seguido pelo Paraná e Santa Catarina. Por outro lado, o Amapá registrou o maior percentual, com 19,9%.

    “O desempenho do Rio Grande do Sul chama a atenção, especialmente diante das perdas climáticas recentes. Esse resultado pode ser explicado por fatores como a forte presença de cooperativas e sistemas integrados, além do uso mais expressivo do seguro agrícola e de linhas de crédito para renegociação de dívidas”, explica Marcelo Pimenta.

    Com machine learning, Agro Score usa inteligência artificial para mitigar riscos no campo

    A análise do Agro Score, desenvolvido pela Serasa Experian, aponta recuo na pontuação média dos produtores rurais, que passou de 616 para 600 pontos entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. O movimento, observado em todas as faixas de produtores, indica um cenário mais cauteloso no campo.

    Nesse contexto, o uso de modelos preditivos baseados em inteligência artificial e machine learning permite ampliar a compreensão do perfil financeiro no campo e apoiar decisões de crédito mais seguras e equilibradas ao longo da cadeia do agronegócio.

    “Analisar dados é fundamental para entender o comportamento e o perfil financeiro dos produtores e mitigar riscos em toda a cadeia. Com o Agro Score, incorporamos informações específicas do setor para possibilitar avaliações mais precisas e apoiar o mercado na tomada de decisão”, finaliza Marcelo Pimenta.

    Nova edição do Boletim Agro traz panorama do crédito no campo

    A Serasa Experian disponibiliza agora a nova edição do Boletim Agro, que reúne os principais indicadores de crédito, recuperação judicial, inadimplência e muitas outras análises sobre o agronegócio brasileiro. O material tem aberturas detalhadas por região, Estado e segmentos, evidenciando o comportamento financeiro dos produtores rurais e as tendências do setor.

    Para o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da Serasa Experian foram consideradas apenas dívidas vencidas com mais de 180 dias e até cinco anos, somando pelo menos R$ 1.000,00, dentre aquelas relacionadas ao financiamento e às atividades do agronegócio.

    As categorias analisadas foram:

    • Instituições financeiras: bancos, fundos de investimentos, cooperativas de crédito, entre outras descritas como “atividades de serviços financeiros” pelo IBGE;

    • Setores agro: agroindústria de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas, produtores rurais, entre outros;

    • Outros setores: seguradoras não vida, transporte de carga e armazenamento.

    O percentual de inadimplência é calculado sobre 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, resultantes de: 1) registros de propriedades classificadas como imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR); 2) financiamentos rurais ou agroindustriais registrados no Cadastro Positivo no último ano; ou 3) registro de atividade de produtor rural no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra).

     

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