Com avanço do greening, nutrição ganha protagonismo na citricultura
Especialista da Yara Brasil afirma que doença aumenta custos e exige manejo mais técnico para manter a produtividade dos pomares

Para Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, o greening mudou a forma como os produtores precisam conduzir os pomares.
O avanço do greening, considerado hoje o principal desafio fitossanitário da citricultura brasileira, tem aumentado a pressão sobre os produtores e reforçado a busca por estratégias para preservar a produtividade e a qualidade dos pomares. Em um cenário marcado também por custos elevados de produção e eventos climáticos extremos, o manejo nutricional vem ganhando relevância como ferramenta para fortalecer as plantas e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.
Para Bruno Dittrich, especialista agronômico da Yara Brasil, o greening mudou a forma como os produtores precisam conduzir os pomares.
"O greening requer dos produtores uma abordagem cada vez mais técnica, integrada e eficiente no manejo dos pomares", afirma.
Segundo ele, além de comprometer a produtividade e a longevidade das plantas, o greening aumenta os custos da atividade e reforça a necessidade de investimentos em monitoramento e estratégias que favoreçam a resiliência das árvores.
"Estamos, portanto, diante de uma necessidade na qual produtores precisam renovar pomares, aumentar a eficiência e elevar a produtividade, em um ambiente em que os custos fixos da atividade são altos. A nutrição, em meio a esses desafios, é fundamental para apoiar os produtores na construção de pomares mais resilientes, longevos e produtivos", destaca.

O tema ganha relevância em um momento em que a busca por maior rendimento das áreas cultivadas se tornou estratégica para a sustentabilidade econômica da atividade. Segundo a Yara, áreas acompanhadas pela companhia registraram ganhos médios de até 110 caixas por hectare com programas nutricionais que combinam adubação de solo, fertirrigação e aplicações foliares adaptadas às diferentes fases da cultura.
Em entrevista ao Agrofy News, Dittrich fala sobre os impactos do greening, a importância da nutrição, o avanço da fertirrigação e dos bioinsumos e os desafios para o futuro da citricultura brasileira.
Agrofy News: O setor citrícola enfrenta pressão crescente com avanço do greening, custos elevados e eventos climáticos extremos. Em um cenário tão desafiador, até que ponto a nutrição pode ajudar o produtor a preservar produtividade e qualidade dos frutos?
Bruno Dittrich: A nutrição exerce um papel fundamental na produtividade e qualidade dos frutos. Plantas bem nutridas apresentam maior tolerância e resiliência aos estresses ambientais, como déficit hídrico e altas temperaturas, além de responderem melhor às condições adversas impostas ao pomar. Quando o assunto é produtividade, o citricultor deve estar ainda mais atento para seguir as recomendações nutricionais de cada fase da lavoura, e isso envolve prever o impacto para as culturas a curto e longo prazo. Fontes de nitrogênio e de cálcio têm grande influência, assim como boro e zinco, que contribuem para o fortalecimento das defesas naturais das plantas, da integridade celular e do desenvolvimento equilibrado das árvores, favorecendo o desempenho produtivo dos citros.
