Com raízes indígenas em Mato Grosso do Sul, quem é o novo convocado da seleção brasileira
Substituto de Wesley na Copa do Mundo, Éderson tem origem na comunidade Terena de Aquidauana (MS), onde a agricultura familiar faz parte da rotina das aldeias

A lesão de Wesley abriu espaço para uma das histórias mais curiosas da delegação brasileira na Copa do Mundo. Escolhido por Carlo Ancelotti para substituir o lateral-direito da Roma, cortado após sofrer uma lesão muscular na coxa esquerda durante o amistoso contra o Egito, o volante Éderson, da Atalanta, carrega raízes indígenas em Mato Grosso do Sul e mantém fortes laços com comunidades do interior do estado.
Nascido em Campo Grande (MS), Éderson cresceu carregando as tradições da família materna, ligada ao povo Terena. A mãe, Edilene Lourenço, e a avó, Albina Cândido, são oriundas da Aldeia Bananal, em Aquidauana, no distrito de Taunay. Na região, a agricultura familiar faz parte da rotina das comunidades indígenas, que cultivam alimentos como mandioca, milho, feijão e hortaliças.
Revelado pelo Desportivo Brasil, Éderson passou por Cruzeiro, Corinthians e Fortaleza antes de construir carreira na Itália. O bom desempenho na Atalanta o transformou em um dos principais volantes do futebol italiano e garantiu uma nova oportunidade com a camisa da seleção brasileira. Após o Mundial, ele deve se transferir para o Manchester United, da Inglaterra.
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A convocação também tem significado especial para a comunidade Terena. O jogador é apontado como o primeiro representante da etnia a defender a Seleção principal, tornando-se referência para jovens indígenas que sonham em seguir carreira no esporte.

Mesmo atuando na Europa desde 2022, Éderson nunca rompeu os laços com as origens da família. Em visitas ao Mato Grosso do Sul, costuma reencontrar parentes nas aldeias da região e participar de encontros com crianças e adolescentes.
Uma dessas passagens ganhou destaque nas redes sociais. Durante visita à Terra Indígena Taunay-Ipegue, o volante recebeu uma bênção tradicional da avó Albina Cândido, conhecida como "Árunoe", que entoou um canto Terena em homenagem ao neto.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o corte de Wesley neste domingo (7), após exames confirmarem uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda.
Para a vaga, Ancelotti optou por Éderson, que soma três partidas e 119 minutos com a camisa da Seleção Brasileira.
Agora, o sul-mato-grossense chega à Copa do Mundo como substituto de Wesley e leva consigo não apenas a experiência adquirida no futebol europeu, mas também a representatividade de uma família ligada ao povo Terena e às comunidades indígenas que mantêm viva a tradição da agricultura familiar no interior de Mato Grosso do Sul.
