Governo anuncia investimento de quase R$ 600 milhões para combate a incêndios diante da previsão de novo El Niño
Monitoramento aponta avanço dos sinais do fenômeno, que pode agravar períodos de estiagem e aumentar a pressão sobre biomas brasileiros
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O Governo Federal anunciou investimento de quase R$ 600 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal diante da previsão de um novo episódio do El Niño nos próximos meses.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os sinais de fortalecimento do fenômeno climático aumentam o risco de secas prolongadas em parte do país e exigem reforço das medidas de monitoramento e resposta.
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Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, mais de 4,6 mil profissionais do Governo Federal estarão envolvidos no monitoramento e no enfrentamento de focos de incêndio ao longo do período mais crítico do ano.
"São mais de 4.630 profissionais do Governo Federal que vão estar monitorando e atuando nas frentes de incêndio. Este ano, fizemos repasse para vários estados da região do Cerrado brasileiro e Pantanal. Então, nós temos, somando para a Amazônia com o Cerrado e Pantanal, mais de R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que foram investidos nos corpos de bombeiros", afirmou o ministro em entrevista ao programa Voz do Brasil.
O planejamento do governo tem como base um ciclo de monitoramento climático iniciado em janeiro, que acompanha a evolução das condições meteorológicas e orienta a adoção de medidas preventivas em conjunto com estados, municípios e sociedade civil. As informações analisadas consideram os dados acumulados até abril deste ano.
De acordo com Capobianco, os indícios observados até o momento apontam para o fortalecimento do El Niño no segundo semestre.
"Temos aí os maiores especialistas, os grandes meteorologistas brasileiros, trabalhando em parceria com o Governo Federal, monitorando reuniões mensais e estamos verificando, infelizmente, que os indícios de que será um El Niño forte estão crescendo", disse.
O que vem por aí?
A expectativa é de que o fenômeno provoque secas mais intensas e prolongadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, afetando biomas como Amazônia, Cerrado, Pantanal e Caatinga. No Sul do país, a tendência é de aumento das chuvas, especialmente no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, o que pode elevar o risco de novas enchentes.
Diante desse cenário, o governo pretende ampliar a capacidade de resposta aos incêndios florestais e reforçar as ações preventivas.
"Então, o que nós estamos fazendo? Atuando de forma preventiva, de várias frentes. A primeira frente importante é o aumento da capacidade do Governo Federal de fazer frente aos incêndios florestais. Nós teremos, esse ano, o maior número de brigadistas atuando no enfrentamento", destacou o ministro.
Capobianco também alertou para os riscos do uso do fogo em atividades como queima de lixo, limpeza de pastagens e abertura de áreas.
"Não use fogo. O fogo, muitas vezes, é usado no Brasil para queima de lixo, para limpar um pasto, para abrir um terreno. O problema é que, na situação que nós vamos enfrentar, isso se torna incontrolável", afirmou.
Segundo ele, a contenção dos focos logo no início é fundamental para evitar incêndios de grandes proporções.
"O fogo, quando você evita ele, é o ideal. Agora, quando você combate ele no início, é o segundo passo importante. Se você não faz isso, ele pode adquirir a potência de um grande incêndio, às vezes de quilômetros de extensão, tornando o trabalho dos brigadistas, dos bombeiros extremamente difícil. Portanto, é importantíssimo que a sociedade esteja atenta. Não use fogo a partir agora de junho", concluiu.
Plano
A preparação para o período de maior risco ocorre após a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), sancionada em julho de 2024.
A legislação estabeleceu mecanismos de coordenação entre União, estados, municípios, produtores rurais, instituições de pesquisa e sociedade civil para prevenção e controle dos incêndios florestais.
Segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a área queimada no Brasil caiu 39% em 2025 na comparação com a média registrada entre 2017 e 2024. Entre os biomas, as reduções chegaram a 91% no Pantanal, 75% na Amazônia, 58% na Mata Atlântica e 45% no Pampa.