Agro vê no possível encontro entre Lula e Trump uma chance de aliviar novo tarifaço
Conversa entre os presidentes durante a cúpula do G7 pode abrir espaço para negociações em meio à preocupação de exportadores brasileiros com novas barreiras tarifárias
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O possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a reunião do G7, na cidade de Évian-les-Bains, França, é acompanhado com expectativa pelo agronegócio brasileiro.
O evento, que reúne as chamadas sete maiores democracias industriais do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) tem início nesta segunda-feira (15) e prossegue até a quarta-feira (17).
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“Eu nem ia no G-7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa”, disse Lula quando confirmou a sua participação na semana passada.
A decisão acerca do convite, segundo apuração do Estadão, foi tomada depois que o governo dos Estados Unidos propôs novo tarifaço ao Brasil.
Depois de já ter se reunido com Trump em Washington em maio, onde o Brasil conseguiu uma prorrogação de novas tarifas, Lula espera conseguir de novo abordar o tema com Trump e reverter a situação adversa.
"Trump, faz o seguinte, você disse que pintou uma química. Quem anunciou isso (a taxação) não foi você e nem eu. Então, você me deve uma reunião, e eu devo uma para você", disse Lula, em discurso realizado na inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão, em Goiás.
A conversa pode representar uma oportunidade para o governo brasileiro de tentar conter os efeitos nocivos do novo pacote tarifário anunciado por Washington.
Embora a agenda bilateral ainda não tenha sido oficialmente confirmada, integrantes do governo brasileiro enxergam a cúpula como uma das melhores oportunidades para uma aproximação direta entre os dois líderes.
A avaliação em Brasília é que o diálogo “olho no olho” pode ajudar a destravar negociações e reduzir os impactos das medidas que ameaçam atingir até um terço de todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, conforme levantou a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Nos bastidores, o governo Lula trabalha para apresentar argumentos econômicos e comerciais que justifiquem uma revisão das medidas, como, por exemplo, uma redução na tarifa de entrada do etanol norte-americano.
Lula também pretende reforçar, no ambiente internacional, o discurso de defesa da soberania nacional diante de medidas consideradas unilaterais por parte do governo norte-americano, como a nova ofensiva contra o PIX.
A narrativa ganhou espaço dentro do Palácio do Planalto e deve ser uma das marcas da participação brasileira no encontro das maiores economias do mundo.

Relembre
Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por “práticas desleais” na relação bilateral, e mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado.
As tarifas propostas não entram em vigor automaticamente. Primeiro, o processo vai passar por consulta pública e audiências antes de uma decisão final do governo norte-americano.
Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas sobre as duas investigações para discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos. Também será possível enviar manifestações por escrito.
União Europeia
O presidente brasileiro também espera esbarrar com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen para resolver os impasses comerciais envolvendo o banimento da carne brasileira à União Europeia. A medida passa a valer em 3 de setembro.