Agroindústria perde fôlego e recua 1,9% em fevereiro
Queda interrompe sequência de recuperação e é puxada por forte retração nos segmentos não alimentícios
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(Foto -Foto: Rodrigo Félix Leal)
A agroindústria brasileira registrou queda de 1,9% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo a sequência de recuperação observada desde setembro de 2025.
O dado é do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do FGVAgro.
A perda de ritmo surpreende e antecipa um movimento que era esperado apenas para março, indicando uma inflexão mais precoce no desempenho do setor.
Segundo a análise, o resultado não está relacionado aos desdobramentos da Guerra do Irã, iniciada no fim de fevereiro.
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O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas avançou 0,9% em relação a fevereiro de 2025, registrando a sexta alta interanual consecutiva.
Desta vez, no entanto, o crescimento foi sustentado exclusivamente pelo setor de bebidas, que expandiu 6,2%.
Já o setor de Produtos Alimentícios recuou 0,3%, pressionado pela menor oferta de alimentos de origem animal, que caiu 1,6% no período.
A retração foi puxada principalmente pela produção de carne bovina e de pescados, que mais do que compensaram os avanços registrados em carne suína, frango e leite.
Por outro lado, a produção de alimentos de origem vegetal cresceu 2,7%, com avanço disseminado entre segmentos como conservas, óleos e gorduras, arroz, moagem de trigo e refino de açúcar.
Ainda assim, o desempenho não foi suficiente para neutralizar o peso negativo das proteínas animais no índice geral.
Segmento não alimentício amplia perdas
O principal fator de pressão sobre a agroindústria veio do segmento de Produtos Não Alimentícios, que registrou queda de 5,5% em fevereiro — e segue sem crescimento interanual desde março de 2025.
Entre os destaques negativos estão:
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Insumos agropecuários, com retração de 11,5%, refletindo menor produção de fertilizantes, defensivos, tratores e máquinas;
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Produtos têxteis, que caíram 11,1%, na quinta queda consecutiva;
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Produtos florestais, com recuo de 1,8%, puxado por celulose, papel e madeira.
Na contramão, o único desempenho positivo relevante veio do setor de biocombustíveis, que avançou 33,5% no mês.
Resultado no ano ainda é levemente negativo
No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a agroindústria registra retração de 0,7% frente ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o desempenho segue melhor que o da indústria de transformação, que recuou 2,2% no mesmo intervalo.
A queda no ano é explicada exclusivamente pelo segmento de Produtos Não Alimentícios, que acumula baixa de 3,7%. Já o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas apresenta expansão de 1,6%, embora com perda de fôlego recente.
Dentro desse grupo, o único subsetor que não cresceu foi o de alimentos de origem animal, com leve retração de 0,3%.
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