Trump chama Brasil de país "politicamente difícil"; Lula rebate: "age como imperador"

    Declarações expõem divergências; Trump também se confundiu ao comentar a situação da família Bolsonaro

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    Foto: Reprodução

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    17deJunhode2026ás16:40

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, na França, classificou o Brasil como um país "politicamente difícil" e fez críticas ao cenário político brasileiro.

    Horas depois, Lula reagiu às declarações do republicano, classificou como "desaforada" a postura adotada pelos Estados Unidos nas negociações comerciais com o Brasil e voltou a acusar Trump de agir como um "imperador".

    Em resposta à pergunta da repórter, Bianca Rothie, da TV Globo, Trump afirmou que teve uma conversa com o presidente brasileiro durante o encontro de líderes.

    "Eu passei bastante tempo com ele [Lula], na verdade", afirmou Trump, sem detalhar o conteúdo da conversa.

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    Ao ser questionado sobre temas como as tarifas que os Estados Unidos estudam aplicar a produtos brasileiros e a possibilidade de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, Trump fez comentários sobre a situação política brasileira.

    "E o Brasil se tornou um país um pouco complicado, certo? Politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político. Você está falando do Brasil, não é? Tem sido algo desagradável", declarou.

    Lula reage a Trump

    As declarações de Trump foram respondidas por Lula ao final da cúpula do G7, em Évian, na França. Em entrevista coletiva, o presidente brasileiro criticou a postura adotada pelo governo americano durante as negociações comerciais entre os dois países.

    "Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. Por isso eu disse que ele continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo", afirmou.

    Questionado sobre um possível encontro bilateral com Trump durante a cúpula, Lula disse que não viu necessidade de solicitar uma reunião exclusiva e afirmou ainda que mantém disposição para conversar diretamente com Trump caso as tratativas não avancem.

    "Não tinha porque pedir bilateral. Nós estamos negociando. Na hora em que terminar a negociação, se não der em nada, não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump e marcar outra conversa."

    Trump cita eleições e Lula rebate

    Ao comentar o cenário político, Trump também fez referência aos processos eleitorais.

    "Eles jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Veja bem, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas", afirmou.

    Questionado sobre as manifestações de Trump, Lula afirmou que o presidente americano tem liberdade para manter suas preferências políticas, mas fez um porém.

    "Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. Afinal de contas, gosto não se discute."

    Na avaliação do presidente brasileiro, eventuais posicionamentos políticos de Trump não representam um problema.

    "Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles e não meu."

    Lula também rebateu as críticas feitas pelo republicano ao sistema político brasileiro e afirmou que as declarações demonstram desconhecimento sobre o funcionamento das eleições no país.

    "Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona", disse.

    Trump se confunde ao falar da família Bolsonaro

    Durante a entrevista, o presidente americano também se confundiu ao comentar sobre integrantes da família Bolsonaro e mencionou, de forma equivocada, uma suposta prisão de "Bolsonaro Jr.".

    "Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele", disse Trump.

    A declaração ocorre em meio aos desdobramentos envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que responde a acusações relacionadas à atuação junto ao governo americano para pressionar autoridades brasileiras e influenciar investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Entre os pontos citados no processo estão iniciativas para incentivar sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do governo federal, incluindo medidas previstas na Lei Magnitsky e a revogação de vistos de autoridades brasileiras.

    Reunião com Zelensky

    Antes das declarações sobre Trump, Lula participou de uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, às margens da cúpula do G7, em Évian, na França.

    Em publicação na rede social X, o presidente brasileiro informou que a conversa, com duração aproximada de 40 minutos, abordou a guerra entre Ucrânia e Rússia, possibilidades de cessar-fogo e alternativas para uma solução diplomática do conflito.

    Segundo Lula, também houve discussão sobre o papel do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na busca por uma saída negociada para a guerra.

    "Acordamos manter contato nas próximas semanas", escreveu o presidente brasileiro.

    Zelensky também avaliou o encontro de forma positiva e afirmou que os dois líderes discutiram caminhos diplomáticos para encerrar o conflito.

    "O presidente [Lula] compartilhou suas ideias sobre possíveis abordagens diplomáticas. Eu o informei sobre as reais atitudes da sociedade russa em relação aos compromissos diplomáticos com os Estados Unidos e outros parceiros. Combinamos contatos futuros", escreveu o líder ucraniano.

     

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