De cliente a pilar de crescimento: como o agro se tornou um braço estratégico da Ativa

    Empresa de locação de toaletes portáteis, contêineres habitáveis e estruturas modulares projeta crescer 20% neste ano e aposta no avanço da celulose, do reflorestamento e das operações de campo

    Estruturas modulares da Ativa atendem operações ligadas ao agronegócio e à cadeia da celulose, segmento que deve impulsionar a expansão da empresa nos próximos anos.

    Estruturas modulares da Ativa atendem operações ligadas ao agronegócio e à cadeia da celulose, segmento que deve impulsionar a expansão da empresa nos próximos anos.

    18deJunhode2026ás09:13

    O agronegócio deixou de ser apenas mais um mercado atendido pela Ativa Locação, empresa especializada em locação de toaletes portáteis, contêineres habitáveis e estruturas modulares, para se tornar um dos principais vetores de crescimento da empresa.

    Atualmente, o setor responde por cerca de 10% a 13% dos negócios da companhia, percentual que pode chegar a 20% nos próximos anos.

    A Ativa prevê crescimento de 20% em suas operações neste ano. No agronegócio, a expectativa é registrar uma expansão entre 7% e 10%, reforçando a estratégia da companhia de ampliar a participação do setor em seus negócios.

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    Mais do que ampliar a receita, a estratégia deve servir como fio condutor da expansão da companhia, que já possui pelo menos dois estados mapeados para receber novas unidades a partir de 2027 e vê no agronegócio uma das principais alavancas para sustentar esse crescimento.

    A aposta está ligada ao avanço das operações agrícolas em larga escala, ao crescimento do reflorestamento voltado à indústria de celulose e à busca cada vez maior por eficiência operacional dentro das propriedades rurais.

    Embora a Ativa tenha iniciado suas atividades focada principalmente nos segmentos de eventos e construção civil, o agronegócio passou a ganhar relevância a partir da década passada e hoje figura entre as principais frentes estratégicas da companhia.

    Segundo a empresa, a diversidade de operações no campo, que vão desde pesquisas agrícolas até reflorestamento e produção florestal, ajudou a consolidar o setor como um dos pilares de crescimento do negócio.

    “Há bastante tempo a gente já enxerga o agro dessa forma”, afirma Tales Moreira, diretor de Operações da Ativa em entrevista ao Agrofy News.

    Segundo ele, mesmo diante de um cenário desafiador para os produtores, marcado por crédito mais restrito, custos elevados e margens pressionadas, a demanda por infraestrutura de apoio no campo continua crescendo.

    “Hoje o tempo é dinheiro. Quanto mais tempo ele perde em deslocamento, mais isso impacta diretamente a produtividade”, afirma.

    A empresa fornece estruturas como sanitários, alojamentos, áreas de convivência e módulos habitáveis utilizados por equipes que atuam em atividades agrícolas, reflorestamento e pesquisa de campo.

    Celulose e reflorestamento impulsionam avanço

    Entre os segmentos que mais têm contribuído para o crescimento da empresa estão as operações de reflorestamento e a cadeia da celulose, atividades que demandam estruturas temporárias para equipes distribuídas em grandes áreas de campo, principalmente no Mato Grosso do Sul.

    A Ativa participou das operações ligadas à implantação da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), atua em projetos da Arauco em Inocência (MS) e acompanha os preparativos para o início das obras da Bracell em Bataguassu (MS).

    “Estamos atuando firmemente hoje em Inocência, na Arauco, e já temos as projeções para início da planta da Bracell em Bataguassu no estado”, afirma Moreira.

    Segundo o executivo, somente as operações ligadas ao campo devem avançar neste ano. Considerando o ciclo de investimentos em curso na celulose e no reflorestamento, a expectativa da empresa é de continuidade na expansão da demanda.

    O Mato Grosso do Sul tem se destacado nesse movimento, impulsionado não apenas pela celulose, mas também pela expansão de atividades ligadas ao agronegócio e à agropecuária.

    Infraestrutura deixa de ser custo e vira ferramenta de produtividade

    Na avaliação de Moreira, uma mudança importante vem ocorrendo dentro das propriedades rurais. Grandes grupos do agronegócio passaram a enxergar infraestrutura temporária não apenas como uma obrigação operacional, mas como uma ferramenta para aumentar produtividade, reduzir riscos e evitar prejuízos decorrentes de paralisações ou penalizações trabalhistas.

    Entre os clientes da empresa estão grupos como Suzano, Klabin, Arauco, Corteva, LongPing, Syngenta, Monsanto e Bayer.

    “Hoje os grandes players já absorveram isso como uma necessidade”, afirma.

    Para grandes empresas do setor, segundo ele, o investimento em estruturas de apoio já faz parte do custo operacional das atividades. A avaliação é que manter condições adequadas para as equipes em campo custa menos do que enfrentar interrupções nas operações, problemas trabalhistas ou perdas de produtividade.

    O desafio agora está em ampliar essa percepção entre pequenos e médios produtores, de acordo com ele.

    “Hoje eu acho que o pequeno e o médio enxerga isso simplesmente como uma despesa. Ele não enxerga ainda o que vai ganhar com isso", explica.

    Para o executivo, além de oferecer melhores condições de trabalho, estruturas como sanitários, alojamentos e áreas de apoio reduzem deslocamentos, ajudam a manter a operação em funcionamento e contribuem para o cumprimento das exigências trabalhistas.

    “É muito mais barato para o grande produtor ter essa estrutura do que amanhã perder uma safra, ter que assinar um TAC ou sofrer uma penalização”, afirma.

    Agro deve sustentar crescimento e expansão

    Além de ampliar a participação do agronegócio nos negócios, a Ativa prepara um novo ciclo de expansão geográfica.

    Segundo Moreira, a empresa já possui pelo menos dois estados mapeados para receber novas unidades a partir do primeiro semestre de 2027, além de outras oportunidades em avaliação.

    O executivo afirma que o crescimento das operações agrícolas, do reflorestamento e da cadeia da celulose deverá ter papel importante nesse movimento.

    “Com certeza”, respondeu ao ser questionado se o agro será um dos fios condutores da expansão da companhia nos próximos anos.

    Atualmente, a empresa mantém operações em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A expansão deverá acompanhar regiões onde a demanda por infraestrutura temporária cresce junto com o avanço de grandes projetos agrícolas e florestais.

    Moreira também cita a mineração como uma frente com potencial de crescimento para a companhia nos próximos anos.

    De Paris para o interior do Brasil

    A história da Ativa começou muito antes da fundação da empresa. Em 1995, durante uma viagem a Paris, a jornalista Silvana Resende teve contato pela primeira vez com um toalete portátil.

    “Foi quando vi pela primeira vez um toalete portátil. Eu não poderia imaginar que ali nascia uma grande oportunidade”, relembra.

    No ano seguinte, durante a campanha que a levaria à Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP), ela ouviu uma reclamação recorrente dos feirantes: a falta de banheiros públicos para quem passava mais de dez horas trabalhando nas ruas da cidade.

    A tentativa de resolver o problema por meio de um projeto de lei acabou não prosperando, mas plantou a semente do negócio.

    “Em 1998, o Wéber queria empreender. Foi aí que sugeri: por que não abre uma empresa de locação de toaletes? Existe mercado e ainda será uma grande chance de darmos dignidade às pessoas.”

    Fundada em Ribeirão Preto, a Ativa expandiu sua atuação para Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Hoje, conta com cerca de 400 colaboradores e atua no segmento de toaletes portáteis e contêineres habitáveis.

    Segundo Silvana, o crescimento da empresa esteve ligado à quebra de paradigmas em setores como construção civil, eventos e agronegócio.

    “A Ativa conseguiu mostrar que, mais que necessidade, ter banheiros à disposição é dignidade humana, respeito a mulheres e homens na cidade e no campo. E é também economia de tempo e maior produtividade.”

    De um segmento que há pouco mais de uma década tinha participação limitada nos negócios da companhia, o agronegócio passou a ocupar posição estratégica nos planos da Ativa. A expectativa da empresa é que o avanço das operações agrícolas, do reflorestamento e da cadeia da celulose continue ampliando o peso do setor em sua receita e sustente a expansão para novos mercados nos próximos anos.

     

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