“O momento não é de sair plantando a esmo”, alerta Ibrahort após excesso de oferta e crédito caro

Diretor executivo, Manoel Oliveira, alerta para descapitalização no setor; alho enfrenta pressão das importações

Manoel Oliveira, diretor-executivo do Ibrahort, recomenda cautela aos produtores. Foto: Fabio Manzini

Manoel Oliveira, diretor-executivo do Ibrahort, recomenda cautela aos produtores. Foto: Fabio Manzini

22deJunhode2026ás13:00

Após um período de excesso de oferta e preços pressionados em 2025, produtores de hortaliças entraram em 2026 com dificuldades para recuperar a capacidade de investimento.

Embora algumas cadeias já registrem melhora nas cotações e até falta de produtos no mercado, parte dos agricultores segue descapitalizada, com acesso restrito a crédito, financiamento e seguro agrícola.

Para o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira, a orientação é de cautela diante de um cenário ainda instável, marcado pelo ajuste entre oferta e demanda, dificuldade de acesso a recursos e riscos climáticos.

“Planeje bem, seja bastante cauteloso. O momento não é o momento de sair plantando a esmo", explica em entrevista ao Agrofy News.

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O setor vive uma fase de ajuste após anos de mudanças na cadeia produtiva desde a pandemia, de acordo com ele.

Os anos de 2023 e 2024 foram relativamente positivos, mas o cenário mudou em 2025, quando as condições climáticas favoreceram a produção em diversas regiões, aponta.

“2025 foi um ano climaticamente excepcional. A gente teve chuva distribuída o ano inteiro. Tivemos verão fresco. Altas produtividades. E isso impactou no excesso de oferta que infelizmente o mercado não conseguiu absorver”, lamenta.

Com maior volume disponível e demanda incapaz de absorver toda a produção, os preços recuaram e o impacto foi transferido para os produtores. Oliveira afirma que muitos agricultores encerraram o período com dificuldades financeiras.

“Muitos produtores descapitalizados. Nós não temos um dinheiro barato hoje, o financiamento é muito difícil, seguro agrícola muito difícil, sem recursos do Governo Federal. Então, o produtor está passando bastante aperto”, aponta.