A esperança da Colômbia na Copa é descendente do povo Wayuu e filho de um vendedor de cabras

    Luis Díaz superou uma infância marcada por dificuldades em La Guajira, ganhou projeção após a Copa dos Povos Indígenas

    Luis Díaz saiu de uma infância humilde em La Guajira para se tornar a principal esperança da Colômbia na Copa do Mundo.

    Luis Díaz saiu de uma infância humilde em La Guajira para se tornar a principal esperança da Colômbia na Copa do Mundo.

    03deJulhode2026ás11:01

    A Colômbia enfrenta Gana nesta sexta-feira (3) em busca da classificação para a próxima fase da Copa do Mundo.

    As seleções entram em campo no GEHA Field, em Kansas City, às 22h30 (horário de Brasília), e a principal referência técnica dos colombianos é o atacante Luis Díaz, atualmente no Bayern de Munique, da Alemanha. É ele o dono da história de hoje de mais um jogador com ligação ao agro neste Mundial.

    Um dos principais atacantes do futebol mundial, Díaz construiu uma trajetória de superação que começou muito distante dos grandes estádios.

    Nascido em Barrancas, no departamento de La Guajira, no norte da Colômbia, ele pertence ao povo indígena Wayuu, que vive na região de fronteira entre Colômbia e Venezuela. A área é marcada por elevados índices de pobreza e desnutrição infantil.

    A infância do atacante foi cercada por dificuldades financeiras. Seu pai, Luis Manuel "Mane" Díaz, mantinha uma escolinha de futebol, onde o filho deu os primeiros passos com a bola, e complementava a renda da família com a venda de cabras e sucos.

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    Aos quatro anos, Luis enfrentou uma doença que o deixou muito debilitado e preocupou a família, que temia por sua sobrevivência. Após a recuperação, voltou a se dedicar ao futebol.

    Grande parte da infância foi passada na casa da avó, onde havia um campo de futebol em frente à residência. Foi ali que passou horas treinando sob a orientação do pai, aprimorando a técnica que mais tarde o levaria ao futebol profissional.

    A mudança

    Foi justamente em La Guajira que a carreira de Luis Díaz começou a mudar.

    Em 2015, ele foi convocado para representar a comunidade Wayuu na Copa América dos Povos Indígenas, disputada no Chile.

    A seleção colombiana teve o ex-jogador Carlos Valderrama, considerado um dos maiores da história da Colômbia, como embaixador, o que deu visibilidade ao torneio.

    As atuações de Díaz reforçaram o interesse no atacante, que acabou integrado ao Barranquilla FC, onde iniciou sua trajetória rumo ao futebol profissional.

    Durante o período na seleção indígena, outro fator foi decisivo para sua carreira.

    A comissão técnica decidiu deslocá-lo para o lado esquerdo do ataque, posição em que passou a explorar sua velocidade, os dribles e as jogadas cortando para o meio, características que se tornaram marcas registradas de seu futebol.

    Ao chegar ao Barranquilla FC, Díaz precisou superar mais um obstáculo. Magro e abaixo do peso em razão das dificuldades enfrentadas durante a infância, passou por um acompanhamento nutricional e ganhou cerca de 10 quilos antes de conseguir competir em alto nível.

    Depois de se destacar no Junior Barranquilla, onde conquistou títulos nacionais e disputou a final da Copa Sul-Americana de 2018, o atacante seguiu para o Porto, de Portugal.

    O desempenho no futebol europeu o levou ao Liverpool, onde se consolidou como um dos principais atacantes do futebol mundial antes de acertar sua transferência para o Bayern de Munique.

    Mesmo após alcançar o sucesso, Luis Díaz manteve os laços com sua cidade natal. Em Barrancas, tornou-se um símbolo local, com murais em sua homenagem, e participa de iniciativas voltadas ao incentivo do esporte entre crianças e jovens da região.

    Sequestro

    A trajetória do colombiano ganhou outro capítulo dramático em 2023, quando seu pai foi sequestrado por integrantes do Exército de Libertação Nacional (ELN). Luis Manuel Díaz permaneceu 12 dias em cativeiro antes de ser libertado, em um caso que mobilizou autoridades, clubes e torcedores de vários países.

    Hoje, Luis Díaz é a principal referência técnica da seleção colombiana e assumiu o protagonismo que durante muitos anos pertenceu a James Rodríguez.

     

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