Brasil vê avanço nas negociações com os EUA e mantém etanol fora da pauta

    A expectativa é realizar ainda nesta semana uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer

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    Brasil vê avanço nas negociações com os EUA e mantém etanol fora da pauta
    08deJulhode2026ás08:38

    Em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, o Brasil identificou uma abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional.

    A avaliação foi feita nesta terça-feira (7) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após uma nova rodada de reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

    Segundo o ministro, houve avanços em um tema considerado estratégico pelo governo brasileiro.

    "Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto", afirmou.

    A expectativa, de acordo com Márcio Elias Rosa, é realizar ainda nesta semana uma nova reunião técnica e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas.

    Apesar do avanço em alguns pontos, o ministro reiterou que a orientação do governo é manter as negociações restritas à questão tarifária.

    "A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos", disse.

    Etanol fica fora da negociação

    Márcio Elias Rosa voltou a defender que o etanol permaneça fora das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

    Segundo o ministro, discutir apenas a tarifa incidente sobre o biocombustível desconsidera a relação entre as cadeias produtivas de etanol e açúcar, além dos impactos para a indústria brasileira.

    "O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade", afirmou.

    Ele ressaltou que o setor é estratégico, especialmente para a economia do Nordeste, e lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta barreiras significativas para acessar o mercado americano.

    "Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias", disse.

    Diante do prazo reduzido para alcançar um entendimento, o ministro afirmou que o governo concentrará esforços nos temas em que há possibilidade de avanço.

    "O prazo é curto. Temos que focar no que pode dar resultado positivo", declarou.

    Setor reforça posição do governo

    Durante a audiência pública promovida pelo USTR, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil defenderam a mesma posição adotada pelo governo brasileiro.

    As entidades argumentaram que a redução das importações de etanol americano não está relacionada apenas às tarifas, mas, principalmente, ao crescimento da produção brasileira de etanol de milho, que diminuiu a necessidade de compras externas.

    Na avaliação do setor, Brasil e Estados Unidos — os dois maiores produtores mundiais de etanol — deveriam concentrar esforços na ampliação do mercado global de biocombustíveis, em vez de ampliar disputas comerciais bilaterais.

    O que é a Seção 301

    As negociações ocorrem paralelamente à investigação aberta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

    O mecanismo permite ao governo americano investigar práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou prejudiciais às empresas dos Estados Unidos. Ao fim do processo, Washington pode adotar medidas como a imposição de sobretaxas sobre produtos importados ou outras restrições comerciais.

    No caso brasileiro, a investigação questiona políticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, compras governamentais e outros temas. Antes da decisão final, o governo dos Estados Unidos realiza uma consulta pública com empresas e entidades interessadas.

     

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