Sabemos o que precisa ser feito sobre alimentos: um plano estrutural de Estado. Com isso dobraremos o agro nacional nos próximos 12 anos

    O preço dos alimentos, mais de 80% deles, não é feito pelos agricultores e, sim, por tudo que os envolve no antes e no pós-porteira

    Sabemos o que precisa ser feito sobre alimentos: um plano estrutural de Estado. Com isso dobraremos o agro nacional nos próximos 12 anos
    31deMarçode2025ás12:45

    Para a Agrofy ouvimos líderes agro como Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura e professor emérito da FGV), Tirso Meirelles (presidente da FAESP), Arnaldo Jardim (deputado pelo Cidadania e VP da Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária - FPA). Pedro Lupion (deputado do PP e presidente da FPA) e João Dornellas (presidente da ABIA) sobre a questão envolvendo preço de alimentos e todos eles, sem exceção, colocam ângulos além do campo, envolvendo também a gestão da política fiscal do governo, mas indo além.

    Sobre ideias “heterodoxas”, quer dizer inúteis, o próprio ministro Carlos Fávaro concorda ser inadmissível burburinhos em torno de taxar as exportações do agro nacional.

    Já vivemos isso no país anos atrás e sabemos no que deu.

    Ao contrário, ao nos expormos à competição mundial não só crescemos o setor como um todo, como passamos a abastecer em qualidade e quantidade o mercado interno brasileiro.

    Da FAESP, Tirso Meirelles manifestou sua visão afirmando: “o governo perdeu a mão da política monetária, inflação em alta e juros exorbitantes, e não existe estoque regulador, armazenamento, a infraestrutura é incapaz de atender a produtividade nacional trazendo custos adicionais ao produtor rural e nos preços ao consumidor final".

    Tirso Meirelles reafirma a necessidade do governo investir na solução de desafios estruturantes.

    O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania) e vice-presidente da FPA, assim como o deputado Pedro Lupion (PP), presidente da FPA, se manifestaram da seguinte forma:

    “O governo anunciou medidas para conter o preço dos alimentos, mas são totalmente ineficientes, com poucos resultados pontuais. Zerar tarifas de importação não resolverá problema de preços. Não vamos encontrar preços mais baratos, pois somos grandes exportadores exatamente por termos qualidade e preços dos mais competitivos do mundo. Precisamos buscar soluções estruturadas, rever a questão tributária, rever toda estrutura de custo de produção.”

    O ex-ministro Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV, atua na mesma linha da necessidade de planejamento de estado, estruturante e me disse:

    “Tudo que tem de ser dito ou escrito sobre as atitudes tomadas pelo Governo para reduzir imposto de importação para diminuir os preços dos alimentos no Brasil já foi feito. Não tem mais nada que escrever, nem o que dizer e está tudo dito, mas o resumo da ópera se transforma em duas grandes notícias: a primeira é que as medidas tomadas do ponto de vista de efeito para baixar o preço dos alimentos serão muito limitadas. Café e açúcar o preço é mundial e não tem como recorrer disso aí. A carne depende de outros fatores. Talvez tenha uma vantagem para o milho no curto prazo, mas vai acontecer que a safra de milho vai chegar já, já, e uma baita safra. Então os efeitos são limitados, mas tem um aspecto político importante que o Governo demonstra uma preocupação com a questão do poder aquisitivo da população. Então o efeito é mais político do que econômico. O segundo ponto, que é o mais importante, é que ações concretas para o a redução do preço dos alimentos é aumentar a oferta e para aumentar a oferta é preciso de crédito e juros baixos. Então tem de ter uma ação muito consistente do Governo, tem de fazer um ajuste fiscal que reduza a taxa de juros e reduza a condição da dívida pública para que tenha dinheiro barato, seguro rural funcionando e equipamentos adequados para a safra funcionar direito. Mas na verdade é que no longo prazo as coisas precisam acontecer. Temos de ter estrutura funcionando bem, com ferrovia, porto e armazém bom, acordos comerciais com países grandes consumidores, ter uma visão muito clara sobre o custo de embalagens, impostos indiretos que atrapalham a agricultura. Então tem de ter uma ação estratégica que é muito mais do que causuística, é estrutural, e isso todo mundo sabe o que tem de ser feito. E a grande maioria das questões está fora do Ministério da Agricultura, é uma ação de Governo mesmo que tem de ser tomada, cada qual na sua área. Aí, sim, que o Brasil vai ser campeão mundial da segurança alimentar e, portanto, campeão mundial da paz porque o Nobel da Paz não é a fome”.

    Então, além dos aspectos todos levantados pelas nossas fontes, quando conversamos com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas (ABIA), que adquire praticamente 60% de tudo o que é produzido pela agricultura no país, seu presidente João Dornellas nos diz: “temos a segunda maior carga tributária sobre alimentos do mundo, 24,4%. Aí, sim, a curtíssimo prazo tirar impostos sobre alimentos causaria um anestésico momentâneo”.

    E além de tudo isso temos os ciclos clássicos das commodities, aspectos climáticos planetários como, por exemplo, a cana-de-açúcar na Índia sofrendo com as secas, demanda crescente por café em países de gigantesco potencial como a China e adicionalmente governos em guerras comerciais, como chegou o estilo Trump.

    Agora a safra nova entra no país daqui para frente e mesmo com as inseguranças climáticas teremos safra com cerca de 325 milhões de toneladas.

    Portanto, o bom senso do Brasil será o de apoiar ao máximo um Plano Safra 2025/26 que atue para aumentar safras e utilizar áreas degradadas novas sem tirar uma árvore sequer, e ter metas de produção pelo menos em alimentos vitais ao país, e junto com os biocombustíveis.

    Um planejamento estruturante do complexo agroindustrial, financeiro e logístico, com marketing para os mercados mundiais é a solução.

    Cobrar agricultores é insano, pois o preço dos alimentos, mais de 80% deles, e em muitos casos mais de 95% deles não é feito pelos agricultores e, sim, por tudo que envolve os agricultores, no antes, e pós-porteira das fazendas.

    E como ressaltou Roberto Rodrigues, a solução está em muitos outros ministérios, além da agricultura.

    Com um plano estrutural de estado, sem dúvida alguma, dobraremos o agro nacional nos próximos 12 anos.

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