A Reforma Tributária saiu do papel e a nota fiscal eletrônica será o divisor de águas

    Com a nova fase em operação, produtores precisam ajustar sistemas e processos para não perder créditos nem competitividade

    A Reforma Tributária saiu do papel e a nota fiscal eletrônica será o divisor de águas
    11deFevereirode2026ás09:00

    O início das atividades oficiais do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em fevereiro, marca o momento em que a Reforma Tributária deixa definitivamente o campo do discurso e passa a impactar a rotina do produtor rural. Não se trata mais de projeções futuras ou de debates conceituais. O sistema começou a ser colocado em operação e quem não estiver preparado vai sentir os efeitos dessa transição mais cedo do que imagina.

    A recente publicação da segunda edição do Guia de Orientações para Impactos Administrativos da Reforma Tributária reforça essa virada de chave. O material não traz novidades políticas, mas confirma algo essencial: a transição para o novo modelo tributário será técnica, baseada em dados, sistemas e informações fiscais consistentes. E, nesse contexto, a nota fiscal eletrônica assume um papel central e estratégico.

    É a nota fiscal eletrônica que vai sustentar a apuração do IBS, viabilizar a divisão correta dos créditos tributários e permitir o rastreio das operações ao longo da cadeia produtiva. Na prática, isso significa que erros de preenchimento, classificações incorretas ou sistemas desatualizados deixam de ser problemas burocráticos e passam a representar risco financeiro real para o produtor rural.

    Embora o Comitê Gestor tenha sinalizado que, neste primeiro momento, não haverá aplicação de penalidades pela falta de registro dos campos do IBS e da CBS nos documentos fiscais, é fundamental que este período seja utilizado para ajustes técnicos, testes operacionais e correções de rota, não para postergação das responsabilidades. O erro que hoje pode ser corrigido sem penalidade tende a gerar impacto direto na apropriação de créditos no futuro.

    Depois de 20 anos atuando exclusivamente com o agronegócio, posso afirmar com segurança: a Reforma Tributária vai expor quem não se organiza. O produtor que não revisar seus processos fiscais, não atualizar seus sistemas e não compreender a lógica da nova tributação corre o risco de perder competitividade, margem e previsibilidade financeira.

    A atuação mais efetiva do Comitê Gestor deixa claro que a fase atual é de preparação obrigatória. O produtor rural precisa enxergar 2026 como um ano de aprendizagem prática, em que cada nota emitida, cada dado informado e cada ajuste realizado fará diferença na consolidação do novo modelo tributário.

    A Reforma Tributária não será sentida apenas na carga de impostos, mas na forma como o produtor se relaciona com a tributação. Quem se antecipa, testa, corrige e se estrutura agora entra no novo sistema com controle. Quem ignora os sinais tende a pagar o preço depois, não em multas imediatas, mas na perda silenciosa de créditos e eficiência.

    No novo cenário tributário, a nota fiscal eletrônica deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser um ativo estratégico. Entender isso desde já é o primeiro passo para atravessar a Reforma com segurança.

    *Viviane Morales é sócia proprietária da Lastro Soluçòes Tributárias para o Agro, assumindo o cargo de diretora administrativa da empresa, que é especializada no setor tributário do agro e na recuperação de crédito de ICMS do produtor rural. Viviane é formada em Direito pela PUC-Campinas, onde atuou de forma ativa como monitora de Direito Penal, Introdução ao Estudo do Direito e Assistente de Introdução ao Estudo do Direito. Viviane tem pós-graduação em Gestão e Liderança e Gestão de Recursos Humanos pela FGV.

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