O Brasil dos camisas 10 e dos tratores: Por que insistimos em jogar contra nós mesmos?

A verdade é que o futebol e o agronegócio são os dois espelhos mais fiéis da nossa alma nacional

13deJulhode2026ás08:30

Se você parar para olhar o Brasil de cima, vai ver um país com uma vocação absurda para a grandeza, mas com uma mentalidade que insiste em jogar na retranca. A verdade é que o futebol e o agronegócio são os dois espelhos mais fiéis da nossa alma nacional. Em ambos, temos os melhores "jogadores" do mundo, a terra mais fértil e o talento mais puro. Mas também compartilhamos o mesmo drama: a total falta de planejamento e a mania autodestrutiva de apedrejar nossos próprios craques.

O planejamento que não entra em campo

No futebol, o Brasil ainda vive da herança do talento espontâneo, esperando que um menino de ouro drible cinco e resolva o jogo no improviso. No agro, por muito tempo, dependemos da sorte da chuva e da imensidão da terra. Mas o mundo mudou, e a nossa mentalidade política, não.

Falta ao Brasil o básico: um planejamento estratégico de nação. Não temos uma visão de longo prazo; temos líderes políticos que nunca descem do palanque e cujos horizontes terminam na próxima eleição. O resultado disso é um país sem esquema tático, paralisado por uma corrupção desenfreada e por uma gritante inversão de prioridades. Afinal, qual outro lugar no mundo destina mais verbas públicas para partidos políticos do que para a ciência e a inovação?

Enquanto a China projeta suas metas para as próximas décadas e países menores desenham o futuro com precisão, o Brasil patina na falta de infraestrutura crônica. A grande ironia é que, mesmo sem esse norte do Estado, o futebol e o agronegócio conseguem despontar.

O agro investiu em tecnologia de ponta, genética e gestão de risco para sobreviver ao caos logístico; o futebol, mesmo mal gerido, ainda exporta talentos para o mundo pelo peso da sua camisa. Ambos são referências globais de destaque apesar do país, e não por causa dele.

Imaginem o Brasil se tivesse a seriedade de um projeto de Estado real. Se sem tática já somos gigantes, com um planejamento estratégico de verdade seríamos imbatíveis.

O linchamento dos nossos craques: O caso Neymar e o Agro

A nossa maior hipocrisia é o tratamento dado a quem carrega o piano. Olhem para o Neymar. Podemos discutir suas escolhas pessoais, seu estilo, o que for. Mas, em campo, ele é o fora de série, o homem que puxa a marcação, que resolve, que coloca o Brasil no topo do debate global do futebol. E o que fazemos? Apedrejamos. Torcemos pelo erro. Comemoramos a lesão e misturamos o que ele é dentro do campo com o que ele faz fora do campo.