A força do agro no Brasil

Qual o tamanho do agro na economia brasileira? A resposta depende da conta que se faz. Por Xico Graziano

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A força do agro no Brasil
12deAbrilde2022ás18:04

Qual o tamanho do agro na economia brasileira? A resposta depende da conta que se faz. Entenda a questão.

Tradicionalmente, se calcula o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária considerando o valor (quantidade x preço) oriundo dos dois ramos básicos: o agrícola e o pecuário. Assim procede o IBGE, que elabora as contas nacionais.

Nesse conceito antigo, que enxerga a agropecuária isoladamente, ela representa ao redor de 7% do PIB nacional. Esse é o valor da riqueza rural, gerada diretamente “dentro da porteira” das fazendas.

Há 100 anos, quando se dizia que o Brasil era essencialmente rural, esse número ultrapassava 50%. Ou seja, mais da metade do que o país produzia vinha do campo. A indústria era fraca, o comércio incipiente. A maioria da população morava na roça.

Visto por esse ângulo, caiu, e muito, a importância do agro na economia do país. Todos os países passaram por tal processo, ocasionado pela industrialização e urbanização.

Nos anos de 1950, porém, nos EUA, dois economistas de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, mostraram que essa matemática sobre o mundo rural estava ficando torta. Por quê? Pelo fato de as interações se tornarem cada vez mais avançadas entre a agricultura, a indústria, o comércio e os serviços.

Ficava errado continuar analisando o agro isolado. Complexas cadeias produtivas se formavam, integrando a produção rural com os demais setores. Daí propuseram um novo conceito: calcular o valor do agribusiness ou, em português, agronegócio. Não apenas ver o PIB por dentro da propriedade, mas somar tudo aquilo que era movimentado na economia a partir do agro.

No Brasil, desde os anos de 1980, com a modernização capitalista e tecnológica do campo, essa visão contemporânea, traduzida aqui pelo termo “agronegócio”, passou a corresponder à realidade brasileira. Como nos demais países avançados.

Pois bem. Medido pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Esalq/USP), o PIB do Agronegócio correspondeu, em 2021, a 27,4% do PIB total do Brasil. Essa é a participação da produção rural, propriamente dita, somada aos setores colocados “antes da porteira” (indústria de máquinas, insumos) e aqueles situados “depois da porteira” (agroindústrias e agrosserviços).

Perceba que existe uma grande diferença entre a conta do IBGE (7%) e a do CEPEA (27,4%). Repetindo: a primeira mede o valor estritamente rural; a segunda expressa a somatória de todas as cadeias produtivas, do início (rural) ao fim (mercado).

Quem trabalha diretamente no campo percebe essa modificação histórica. Hoje em dia, não basta ser bom produtor rural. É necessário entender de mercado, saber negociar, buscar financiamento, olhar o todo. Ser competitivo.

Somente não participa do agronegócio quem produz para sua própria subsistência. Esse produtor pode ficar isolado. Fora disso, o agro está conectado na economia global. E movimentando o país.

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