Croplife: qual a situação da segurança alimentar?

Equipe de especialistas analisa segurança alimentar no pós-pandemia e guerra

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Croplife: qual a situação da segurança alimentar?
06deJunhode2022ás15:02

A segurança alimentar é tema cada vez mais frequente especialmente diante de acontecimentos como a intensificação das questões climáticas, a pandemia de covid-19 e, mais recentemente, a guerra Rússia x Ucrânia. 

Neste cenário mundial de prejuízos humanitários e incertezas sobre o futuro, a equipe de especialistas da CropLife, entidade que atua na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para uma produção agrícola sustentável, publicou recentemente uma análise em questiona: qual a situação da segurança alimentar?

Para os especialistas, o primeiro passo é entender que a segurança alimentar é alcançada apenas "quando o sistema alimentar, de forma sustentável, garante acesso regular a alimentos de qualidade e que supram as necessidades nutricionais de todas as pessoas.”

Da mesma forma, a lógica é a de que para pensar em ampliar a produção de alimentos é preciso saber como obter maior uso da terra; crescimento no uso de insumos e da eficiência dos mesmos.

“Podemos dizer que até a década de 1960 o aumento na produção de alimentos vinha sendo alcançado, principalmente, pelo crescimento de área agrícola, à medida que as populações colonizavam novas terras. No entanto, a grande oferta de alimentos que temos hoje é resultado da chamada “revolução verde” (período em que houve maior uso de insumos e maquinário) e do período pós-revolução verde – quando a biotecnologia, agricultura de precisão e outras tecnologias passaram a disponibilizar maior ganho de eficiência no campo", diz o texto. 

Agricultura moderna

E aí é que entra em cena a chamada agricultura moderna, cujo pilar principal é o uso otimizado de insumos, incluindo aí a participação de sementes melhoradas geneticamente, pesticidas e fertilizantes.

Globalmente, a CropLipe destaca que essas práticas já resultaram em um aumento de 390% na produção de alimentos, em apenas 10% de área cultivável em 60 anos, com crescimento mais expressivo nas culturas de cana-de-açúcar, cereais, hortaliças, frutas e oleaginosas.

"O mundo estava caminhando para alcançar a fome zero e a segurança alimentar para uma população de 7 bilhões  pessoas com expectativa de se chegar a 10 bilhões, ainda nesse século. 

Porém, o nível global de Prevalência de Desnutrição (PD), que já vinha aumentando desde 2014, se acentuou entre 2019 e 2020, e a fome atingiu quase 10% da população mundial em 2020 - em comparação com 8,4% em 2019.

De acordo com o Sistema Global de Informação e Alerta Antecipado sobre Alimentação e Agricultura (Global Information and Early Warning System on Food and Agriculture – GIEWS) a guerra na Ucrânia tem elevado o preço dos alimentos em todo o mundo, assim como o de combustíveis e de fertilizantes.

E ameaça a produção de alimentos, já em 2022. Por este motivo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) traçou seis caminhos para a transformação dos sistemas alimentares. São eles: integração de políticas humanitárias; maior resiliência climática nos sistemas alimentares; fortalecer a vulnerabilidade econômica; intervir para redução no custo dos alimentos; combater a pobreza e promover padrões alimentares conscientes. 

Solução que se conecta

A Crop Life defende a adoção de novas tecnologias para transformar a produção de alimentos e conectar os caminhos da ONU. Um exemplo é o uso da biotecnologia em sementes, têm oferecido soluções práticas e eficientes aos sistemas agrícolas (que produzem alimentos, rações, fibras e energia) mesmo em condições de estresses (ataque de pragas, escassez de água e ondas de calor e frio). 

A relevância da biotecnologia é ressaltada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ao estimar que a produção agrícola em 2030 seja sustentada em até 50% por sementes e mudas desenvolvidas por essa área do conhecimento.

Também o comitê científico das Organização das Nações Unidas, em seu documento Ciência e Inovação para transformação do sistema alimentar, afirma que é possível reduzir a fome crônica em 5% até 2030 por meio do aumento da produtividade agrícola e da redução da perda e do desperdício de alimentos, entregando uma dieta saudável para 568 milhões de pessoas a mais do que em 2019 [4,5].

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