Vietnã anuncia 1ª vacina contra Peste Suína Africana

Doença dizimou centenas de milhões de animais na Ásia e Europa e retornou às Américas em 2021

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Vietnã anuncia 1ª vacina contra Peste Suína Africana
09deJunhode2022ás10:11

O Vietnã anunciou, na semana passada, a primeira vacina no mundo a ser aplicada em porcos para combater a Peste Suína Africana (PSA).

Na última sexta-feira, inclusive, as autoridades vietnamitas autorizaram a comercialização da vacina apenas para o Vietnã. Hanói também espera poder vender a vacina no exterior para ajudar países onde a epidemia que dizima rebanhos de suínos está muito presente.

"A produção da vacina é um momento histórico (...). Também temos a exportação como objetivo. Sua duração de imunidade é de seis meses", declarou o vice-ministro da Agricultura, Phung Duc Tien, na semana passada.

O país informou que a vacina estava sendo desenvolvida desde 2019 em conjunto com os Estados Unidos, com cinco testes clínicos já realizados.

De acordo com autoridades de saúde do Vietnã, a segurança e eficácia do produto foram aprovadas pelo departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A imunidade dura seis meses — depois disso, a vacina precisa ser reaplicada.

Peste Suína Africana

Inofensiva para os seres humanos, mas devastadora para os animais, a nova pandemia de PSA começou em 2018 na Ásia. Na China, por exemplo, já matou mais de 200 milhões de porcos.  

No Vietnã, as ocorrências começaram em 2019. Desde então, o país teve de sacrificar milhões de animais, cerca de 20% de seu plantel. Até agora, não existia vacina comercializada para prevenir esta doença.

Entre janeiro de 2020 e abril de 2022, mais de 1,1 milhão de casos em suínos foram notificados em 35 países, segundo dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Uma das doenças mais contagiosas do mundo, a Peste Suína Africana tem esse nome por ter sido detectada pela primeira vez na África, no início do século 20.

Provocada por um vírus da família Asfarviridae, causa hemorragias que em geral levam à morte dos suínos em até dez dias. Não há casos de óbito em humanos.

Surtos da infecção provocada pela doença foram identificados também em diversos países europeus, matando milhões de animais, entre eles a Ucrânia, Rússia, Polônia e República Tcheca. Na Bélgica, foi detectada em javalis.

O vírus chegou novamente às Américas em meados de 2021, com surtos da doença no Haiti e República Dominicana. Os países são próximos da Florida, nos Estados Unidos, apesar de não haver registro em solo estadunidense. Também não há registros de casos no Brasil.

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