Cepea: custo de produção do leite sobe 60% desde 2020

Estudo identifica mudança no perfil produtivo das propriedades leiteiras

Por |
Cepea: custo de produção do leite sobe 60% desde 2020
12deJulhode2022ás15:54

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP) divulgou nesta terça-feira (dia 12) seu relatório de custos de produção de leite, referente ao mês junho. 

A análise ganha atenção especial devido à alta no preço do litro, que chegou a custar R$ 8 o litro nas prateleiras dos mercados, em alguns estados brasileiros.

O valor está diretamente relacionado com a elevação nos custos de produção, cenário agravado com a guerra na Europa, com alta de 60% desde 2020, também segundo o Cepea.

Projeto Campo Futuro

O atual relatório foi baseado nos painéis de custos de produção do Projeto Campo Futuro e aponta para uma mudança no perfil produtivo das propriedades leiteiras em importantes regiões produtoras do País.

“A principal alteração foi a migração de sistemas semiconfinados para sistemas em que há o confinamento total das vacas em lactação. Essa transformação foi registrada no oeste dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, no Sul de Minas Gerais e na praça do Alto Paranaíba (MG).”, diz o boletim, que completa:

“Para isso, produtores realizaram investimentos em instalações no modelo “Compost Barn”, também chamado no Brasil de “Composto” (...).As pesquisas mostram que entre as principais vantagens dessas estruturas estão a diminuição na incidência das doenças de casco, redução dos níveis de mastite, maior controle sobre o consumo da dieta e melhores condições de temperatura e ambiência”.

O investimento em tecnologia, entretanto, também entra como fator que encarece o custo de produção, somada a entressafra e alta dos insumos.

Ainda assim, segundo o Cepea, já é possível notar aumento na produção entre 15% e 35%.

Primeiros anos de transição

“A migração do sistema de produção é um movimento natural, que tem como objetivo o ganho em escala e a consequente maior competitividade econômica da atividade leiteira frente a outras, como a agricultura. O investimento nos barracões, entretanto, é alto e os planejamentos financeiro e produtivo precisam ser priorizados, sobretudo nos primeiros anos de transição, em que os animais ainda não conseguem atingir o máximo do seu potencial produtivo.”, avalia nota do Cepea. 

Desta forma, os pesquisadores consideram que o principal desafio dos produtores do ponto de vista da gestão financeira do período é a conciliação do fluxo caixa.

“Uma vez que há a elevação dos desembolsos inerente à atividade leiteira mais intensiva, somado muitas vezes aos compromissos de amortização e juros do financiamento das instalações, que também comprometem parte da receita. Esse fluxo maior nas saídas de caixa se contrapõem a uma receita proporcionalmente menor em relação ao potencial do projeto nesse período, o que deve ser considerado no planejamento da propriedade que irá investir na nova estrutura.”

O boletim está disponível na íntegra no site do Cepea.

Cargando...