Acordo para escoar grãos da Ucrânia pode ser assinado hoje, diz Turquia

Desde o início do conflito, a Rússia bloqueia portos com milhões de toneladas de alimentos

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Porto de Odessa é um dos principais centros de escoamento da produção da Ucrânia. (foto - Cruise Mapper)

Porto de Odessa é um dos principais centros de escoamento da produção da Ucrânia. (foto - Cruise Mapper)

22deJulhode2022ás10:46

A Turquia disse que um acordo entre Rússia, Ucrânia e as Nações Unidas pode ser assinado ainda hoje (dia 22) para a retomada das exportações de grãos da Ucrânia, o que marcará um primeiro passo para aliviar a crise alimentar global.

A Ucrânia e a Rússia estão entre os maiores exportadores de alimentos do mundo, e os portos da Ucrânia, incluindo o principal em Odesa, foram bloqueados pela frota russa do Mar Negro.

A interrupção das exportações de grãos durante a guerra de cinco meses fez com que os preços subissem drasticamente, e a reabertura dos portos ucranianos pode evitar a fome em partes do mundo.

Cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão presos em silos em Odesa, com dezenas de navios retidos pela ofensiva de Moscou, que chama de "operação militar especial".

A Rússia nega que o conflito tenha piorado a crise alimentar, culpando as sanções ocidentais por desacelerar suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes e a Ucrânia por minar seus portos do Mar Negro.

Primeiro passo

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse no Twitter, na quinta-feira (21), que a reunião de sexta-feira em Istambul marca "o primeiro passo para resolver a atual crise alimentar". A Turquia continuará seus esforços para resolver o conflito, disse Cavusoglu.

Ele também disse à emissora estatal TRT Haber que não vê perspectivas de um cessar-fogo, mas que um acordo sobre as exportações de grãos poderia aumentar a confiança entre os dois países.

A Turquia disse que um acordo geral foi alcançado em um plano liderado pela ONU durante as negociações em Istambul na semana passada e agora será colocado por escrito pelas partes. Os detalhes do acordo não foram imediatamente conhecidos.

O documento deve ser assinado nos escritórios do Palácio Dolmabahce, em Istambul, às 13h30 GMT, em uma cerimônia com a presença do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e do presidente turco, Tayyip Erdogan, disse a presidência da Turquia.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, estava viajando para a Turquia para o acordo de grãos, disseram três fontes à Reuters, e o ministro da infraestrutura da Ucrânia também compareceria. Não houve confirmação da Ucrânia ou da Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia disse na quinta-feira (21), que outra rodada de negociações liderada pela ONU para desbloquear as exportações de grãos da Ucrânia ocorrerá na Turquia na sexta-feira.

O ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, disse na semana passada que o acordo a ser assinado inclui controles conjuntos para verificação de embarques nos portos. A Turquia também estabeleceria um centro de coordenação com a Ucrânia, a Rússia e as Nações Unidas para as exportações de grãos.

Trégua 

Antes das negociações de 13 de julho, diplomatas disseram que os detalhes do plano incluíam navios ucranianos guiando navios de grãos dentro e fora das águas portuárias minadas; Rússia concordando com uma trégua enquanto os embarques se movem; e a Turquia - apoiada pelas Nações Unidas - inspecionando navios para acalmar os temores russos de contrabando de armas.

Os Estados Unidos saudaram o acordo e disseram que estão se concentrando em responsabilizar a Rússia por implementá-lo. As Nações Unidas e a Turquia, membro da OTAN e vizinha marítima da Rússia e da Ucrânia no Mar Negro, trabalham há dois meses para intermediar o que Guterres chamou de "pacote" - para retomar as exportações ucranianas de grãos do Mar Negro e facilitar os grãos russos. e envios de fertilizantes.

Após as negociações da semana passada em Istambul, os Estados Unidos procuraram facilitar as exportações russas de alimentos e fertilizantes, assegurando a bancos, companhias de navegação e seguradoras que tais transações não violariam as sanções de Washington a Moscou. As informações são da Reuters.

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