Agro bate recorde de receita com exportações no 1º semestre

    Segundo o Cepea, marca ocorreu mesmo com recuo de 1% no volume embarcado

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    Complexo da soja continua liderando o desempenho do setor. (Foto: CNA)

    Complexo da soja continua liderando o desempenho do setor. (Foto: CNA)

    10deAgostode2022ás17:21

    Pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), realizadas com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam que, em faturamento, as exportações da agropecuária brasileira atingiram montante recorde no primeiro semestre de 2022.

    Segundo levantamento, de janeiro a junho, mesmo com o recuo de 1% no volume exportado, na comparação com o mesmo período de 2021, o faturamento cresceu 26% e atingiu a soma de US$ 79 bilhões.

    Ainda de acordo com avaliação do Cepea, e apesar do faturamento em dólar recorde, em moeda nacional, a receita real não apresentou o mesmo desempenho.

    A justificativa está no processo inflacionário observado no Brasil ao longo do primeiro semestre de 2022. Desta forma, a alta do preço real em Reais se limitou a aproximadamente 6%. 

    Soja na liderança

    Quanto aos produtos exportados pelo agronegócio nacional de janeiro a junho deste ano, os do complexo da soja continuam liderando o desempenho do setor.

    A soja em grão e seus derivados representaram quase 48% do faturamento externo do agronegócio no primeiro semestre de 2022, seguidos por carnes, produtos florestais, café e os do complexo sucroalcooleiro.

    Do lado comprador, o destaque foi a China, como esperado (representando 35% do faturamento externo do agronegócio), seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos (com 16% e 6,5%, respectivamente).

    Saldo comercial 

    Nos primeiros seis meses de 2022, a participação do agronegócio no saldo comercial do País foi de 48%, superando a participação obtida no mesmo período de 2021.

    Com esse resultado, a balança comercial do setor (exportações menos importações de produtos agrícolas) ficou positiva, em mais de US$ 70 bilhões, compensando o déficit comercial dos outros setores da economia brasileira e contribuindo para um superávit comercial de mais de US$ 30 bilhões.  

    Perspectivas para o segundo semestre

    As atenções neste segundo semestre estão voltadas ao andamento da safra no Hemisfério Norte, diz o Cepea.

    A colheita nos Estados Unidos e a evolução dos embarques dos grãos ucranianos terão papel crucial na contenção da escalada dos preços dos alimentos – que, ressalta-se, já tem mostrado certa desaceleração. 

    Assim, se o primeiro semestre de 2022 foi marcado pelas inflações de energia e de alimentos no mundo, devido à guerra na Ucrânia, para o segundo semestre, o combate à inflação eleva o temor de uma recessão na economia mundial.

    Isso porque o resultado desse cenário pode ser uma menor pressão da demanda e crescimento na oferta, retirando espaço para altas intensas nos preços dos alimentos, e, claro, caso não haja perdas significativas na oferta global, por conta de eventos climáticos adversos.

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