Brasil ampliou produção de sorgo em 36,9% na safra 2021/2022
Expansão do cultivo foi debatida durante Congresso Nacional realizado pela Embrapa
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Goiás produziu 41% do sorgo brasileiro na última safra. (foto - Embrapa Milho e Sorgo)
A produção de sorgo no Brasil cresceu 36,9% com a safra 2021/2022, na comparação com o período anterior. Já em área plantada, o incremento foi de 19,4%, atingindo 1,03 milhão de hectares.
A produtividade alcançou 2.763 quilos por hectare, o que revela uma variação positiva de 14,6%, também em relação à safra 2020/2021.
Os números, apresentados no início de setembro, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), endossam a rápida expansão do sorgo no País, debatida durante o XXXIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo, organizado pela Embrapa e encerrado no dia 15.
“O cenário para 2022/2023 também é de forte evolução, com mais investimento em tecnologia. Devemos ter mais um ano sob a influência do La Niña e os produtores podem optar mais pelo sorgo, caso a janela se encurtar no plantio da safra de verão”, avalia Felipe Fabbri.
Coordenador da divisão de mercado de proteínas alternativas e de custo de produção da Scot Consultoria, ele foi um dos palestrantes do evento da Embrapa e buscou contextualizar o mercado.
“Temos um horizonte promissor para o sorgo. Com a expectativa de acréscimo das exportações de milho do Brasil para a China, os preços devem continuar valorizados e o sorgo deve ser mais procurado pelas agroindústrias.”
Quebras na produção de milho
Segundo o especialista, o aumento no sorgo pode ser explicado pelo interesse das agroindústrias de produção animal, que querem reduzir os custos na produção de rações, e devido as quebras na produção de milho, em função do clima.
Neste cenário, o cereal destaca-se por ser semeado quase que totalmente no período de segunda safra, além de apresentar maior resistência à escassez de chuva e às temperaturas mais altas.
Essa vantagem competitiva do sorgo vem acompanhada de menor custo de produção – se comparado ao milho entre 20% e 30% a menos – e um cenário de alta liquidez vivenciada pelos produtores nos últimos anos.
Outra vantagem da cadeia produtiva de sorgo é o fato de ser totalmente voltada ao consumo doméstico. “A partir de 2019, estabelecemos regras claras para o produtor de sorgo, garantindo no mínimo 85% da cotação da saca de milho, podendo, inclusive, constar em contrato, se o agricultor desejar”, reafirma Dércio Luís Oppelt, gerente-executivo de Operações e Logística da BRF.
Desafios para Expansão
Desafios para uma maior expansão da cultura no País também foram debatidos no evento, entre eles a logística de transporte, já que a região Centro-Sul concentra a produção – Goiás produz quase 41% do sorgo brasileiro.
Outro fator apontado pelo gerente são as perdas no processo de transporte. “Os caminhões devem ter a carroceria bem fechada. Os grãos de sorgo, sendo bem menores que os do milho, são mais suscetíveis a perdas na logística”, aponta Oppelt.
Ele ainda reforça a necessidade de mais investimento em pesquisa e a necessidade de registro de herbicidas e inseticidas para a cultura.
Eixo de produção está mudando
Goiás, Minas e São Paulo lideram a produção de sorgo no País. Mas o eixo de produção está mudando, segundo dados apresentados por Urubatan Klink, gerente comercial da América do Sul da Innovative Seed Solutions. A avaliação é que Matopiba e Sealba, além dos estados de Mato Grosso e Rondônia, mostram movimentações importantes em termos de territórios de produção. "O que nos traz uma série de esforços pensando em cada uma dessas regiões”, disse.