CNA debate sustentabilidade da soja Brasileira
Brasil tem potencial para produzir 162 Mt de soja sem desmatamento, diz estudo publicado na Nature Sustainability
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Apresentar a agenda da produção sustentável da soja brasileira para representantes do Reino de Países Baixos foi o objetivo de encontro recentemente realizado pela Confederação Agricultura E Pecuária (CNA Brasil).
Maior produtor mundial, o Brasil, de acordo com a CNA, vem liderando também o debate sobre sustentabilidade no setor.
“O Brasil, que destina percentuais significativos das propriedades privadas à preservação ambiental, deve ser reconhecido por manter um ativo ambiental sem precedentes”, disse presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli.
Ele participou, na quinta (dia 27), do Workshop on Soy Transparency, realizado pela Embaixada do Reino dos Países Baixos, em Brasília.
O evento justamente é parte de uma série de diálogos para discutir a agenda da produção sustentável da soja no Brasil.
Segundo Arioli, o produtor rural avançou muito em termos de tecnologia e sustentabilidade para atender os mercados internacionais.
Ele também falou sobre a preocupação do agro brasileiro com a questão da legislação da diligência devida em fase de tramitação na União Europeia.
O encontro foi promovido pela Parceria das Declarações de Amsterdã, que reúne nove países europeus comprometidos com questões na Europa.

Foto: CNA
Estudo recém publicado reforça potencial
O artigo Protegendo a floresta amazônica e reduzindo o aquecimento global por meio da intensificação agrícola, publicado na semana passada na revista Nature Sustainability, aborda justamente a sustentabilidade na produção de soja nacional.
No estudo, os autores Fábio Marin (pesquisador da Esalq/USP) e Alencar Zanon (Universidade Federal de Santa Maria-RS), avaliam quatro metodologias e calculam como e o quanto é possível ampliar o rendimento da produção, a partir do uso de tecnologia, sem que haja expansão de áreas cultivadas.
O estudo focou na produção da região do Amazonas.
Segundo ele, a bacia amazônica inclui 550 Mha cobertos por florestas tropicais, e 60% dessa área está no Brasil.
“A conversão da floresta tropical para a produção de soja levanta preocupações sobre como o Brasil pode conciliar produção e objetivos ambientais. Aqui investigamos até que ponto a intensificação poderia ajudar o Brasil a produzir mais soja sem mais invasão da floresta amazônica”, diz o estudo.
A análise dos autores mostra que a continuação das tendências atuais em produtividade e área de soja levaria à conversão de 5,7 Mha adicionais de florestas e savanas durante os próximos 15 anos, com 1.955 Mt de CO2e associados liberados na atmosfera.
Em contrapartida, a aceleração da melhoria da produtividade, aliada à expansão da área de soja apenas nas áreas atualmente utilizadas para a pecuária, permitiria ao Brasil produzir 162 Mt de soja sem desmatamento.
Também é possível um impacto no aquecimento global 58% menor em relação ao derivado da continuação das tendências atuais.