CNA debate sustentabilidade da soja Brasileira

    Brasil tem potencial para produzir 162 Mt de soja sem desmatamento, diz estudo publicado na Nature Sustainability

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    CNA debate sustentabilidade da soja Brasileira
    31deOutubrode2022ás10:44

    Apresentar a agenda da produção sustentável da soja brasileira para representantes do Reino de Países Baixos foi o objetivo de encontro recentemente realizado pela Confederação Agricultura E Pecuária (CNA Brasil). 

    Maior produtor mundial, o Brasil, de acordo com a CNA, vem liderando também o debate sobre sustentabilidade no setor. 

    “O Brasil, que destina percentuais significativos das propriedades privadas à preservação ambiental, deve ser reconhecido por manter um ativo ambiental sem precedentes”, disse presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli. 

    Ele participou, na quinta (dia 27), do Workshop on Soy Transparency, realizado pela Embaixada do Reino dos Países Baixos, em Brasília. 

    O evento justamente é parte de uma série de diálogos para discutir a agenda da produção sustentável da soja no Brasil. 

    Segundo Arioli, o produtor rural avançou muito em termos de tecnologia e sustentabilidade para atender os mercados internacionais. 

    Ele também falou sobre a preocupação do agro brasileiro com a questão da legislação da diligência devida em fase de tramitação na União Europeia. 

    O encontro foi promovido pela Parceria das Declarações de Amsterdã, que reúne nove países europeus comprometidos com questões na Europa.

    Foto: CNA 

     

    Estudo recém publicado reforça potencial

    O artigo Protegendo a floresta amazônica e reduzindo o aquecimento global por meio da intensificação agrícola, publicado na semana passada na revista Nature Sustainability, aborda justamente a sustentabilidade na produção de soja nacional. 

    No estudo, os autores Fábio Marin (pesquisador da Esalq/USP) e Alencar Zanon (Universidade Federal de Santa Maria-RS), avaliam quatro metodologias e calculam como e o quanto é possível ampliar o rendimento da produção, a partir do uso de tecnologia, sem que haja expansão de áreas cultivadas. 

    O estudo focou na produção da região do Amazonas. 

    Segundo ele, a bacia amazônica inclui 550 Mha cobertos por florestas tropicais, e 60% dessa área está no Brasil. 

    “A conversão da floresta tropical para a produção de soja levanta preocupações sobre como o Brasil pode conciliar produção e objetivos ambientais. Aqui investigamos até que ponto a intensificação poderia ajudar o Brasil a produzir mais soja sem mais invasão da floresta amazônica”, diz o estudo. 

    A análise dos autores mostra que a continuação das tendências atuais em produtividade e área de soja levaria à conversão de 5,7 Mha adicionais de florestas e savanas durante os próximos 15 anos, com 1.955 Mt de CO2e associados liberados na atmosfera. 

    Em contrapartida, a aceleração da melhoria da produtividade, aliada à expansão da área de soja apenas nas áreas atualmente utilizadas para a pecuária, permitiria ao Brasil produzir 162 Mt de soja sem desmatamento. 

    Também é possível um impacto no aquecimento global 58% menor em relação ao derivado da continuação das tendências atuais.  

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